sábado, 9 de fevereiro de 2008

AS DROGAS SÃO O VENENO CRIADO POR SATANÁS

Há muita gente influente
Que nas drogas vai entrando
Veja que barbaridade
A saúde vão minando
Entram de forma mordaz
Estão ganhando terreno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Muitos jovens classe média
Faz pena o que acontece
Entram na onda mortal
Assim a demanda cresce
Pensam que comem manás
Para entrar basta um aceno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

A pior prisão do mundo
Para quem é indefeso
É aceitar um convite
E nas drogas ficar preso
Quão ilha de Alcatraz
Pensa estar em mar sereno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Estava bem enganado
Achava que só persiste
Gente importante nas drogas
Pois pobre também existe
Escondido por detrás
Vi traficante pequeno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Muito bom se as escolas
A mídia utilizassem
Fizessem divulgação
Este assunto espalhassem
Em cada canto um cartaz
Num movimento bem pleno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

A situação é grave
Esqueçamos a falácia
As drogas ganham terreno
Ajamos com perspicácia
A ação é contumaz
Nada pode ser ameno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Todo dia a gente escuta
No rádio e televisão
As coisas mais absurdas
Gerando perturbação
O tráfico é muito sagaz
Em todo canto há empeno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Em qualquer festa ou balada
Tenha bastante cuidado
Não beba em copo alheio
Esteja sempre ligado
Sempre há um ladravaz
E se espalha quão fulveno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Ela deturpa a família
Onde há droga há morte
Filhos eliminam pais
Um mal infernal e forte
Cada vez mais eficaz
É quão gás acetileno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Tudo parece bonito
A onda é interessante
No inicio tudo é fácil
Mas depois vira gigante
Abra os seus olhos, rapaz!
Não pense que é sal de eno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Se quer vida bem saudável
Para você e os seus
Afaste-se desta balela
Ouça os conselhos meus
Aprenda como se faz
Gente nunca comeu feno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Se você não usa droga
Sinta-se um felizardo
Porém se já é escravo
Já sofreu forte petardo
Seja forte e tenaz
Numa clínica dê um treno
As drogas são o veneno
Criado por satanás

Eu tenho sessenta anos
Assim não morri com vinte
Droga não molhou meus panos
Não veja nisso um acinte
É meu conselho que jaz
Não quero gesto obsceno
As drogas são o veneno
Criado por satanás


Arnaud Amorim

TA CHEGANDO A ELEIÇÃO E EU NÃO SEI EM QUEM VOTAR

Estou muito chateado
Com tanto roubo e desmando
Cada dia fulminado
Com noticias pipocando
Já não vou me controlar
Vou abrir o meu bocão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Tantos paises ordeiros
Com crescimento e justiça
São fatos tão verdadeiros
Esta demanda me atiça
Não quero desanimar
Fraquejar meu coração
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Quando eu tinha dez anos
Meu pai sempre me dizia
Esqueçamos desenganos
Haverá uma melhoria.
Não podemos esperar
Hoje sou um ancião
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

É que na nossa política
Há um estigma muito errado
Tenho que fazer a critica
Só vejo de todo lado
Ladrões demais pra roubar
Quero todos na prisão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Como pode um eleitor
Já todo despreparado
Eu não falo de doutor
Refiro-me ao lascado
Sem condições de optar
Já nasceu um pobretão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Não podemos nos livrar
É muita maracutaia
Chusma sagaz a roubar
Merecemos uma vaia
Não podemos escapar
Mas será mesmo que não?
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Já cansei de esperar
Mas há dentro do meu peito
Tenho que lhe confessar
Não sei se é um defeito
Acho espetacular
Investir na educação
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Mandatários tão nocivos
As matérias que eles votam
Cada vez mais impulsivos
Por se só elas denotam
Delegados prá estudar
Vou fazer acareação
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Os mares lá de Brasília
Já estão contaminados
Desrespeitam a família
Todos eles ensacados
Sacos demais prá puxar
Só vejo bajulação
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Os cartões corporativos
Já são mais de treze mil
Todos eles bem ativos
Como livrar o Brasil?
Agora querem brecar
É piada de salão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Meu titulo de eleitor
Não serve mais para nada
Votava com tanto ardor
Só sabem me dar patada
Uma medida vou tomar
Vou jogá-lo lixão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Podia ser quão balança
Ao jogar mercadoria
Só assim ela avança
Pesa e beneficia
Ladrão demais prá pesar
Vou fazer aferição
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Vamos pegar um navio
Embarcar esta cambada
Com uma navalha em fio
Pegar toda cabroada
Jogar no fundo do mar
Proceder a inundação
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Ou jogá-los num foguete
Todos eles amarrados
Como se fosse um paquete
Os ladrões amontoados
E no espaço soltar
Quero ver a explosão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Tanta gente no Iraque
Morrendo a cada momento
Por que não soltar um traque
Em cada político nojento
Poderiam respeitar
Igual noite de são João
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Acabemos com os políticos
As leis que eles aprovam
Computador vai votar
Assim eles já desovam
É saber configurar
Tudo com computação
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Se o político roubar
Manda descobrir o teto
Deixa a luz do sol entrar
Pensemos neste decreto
Lula vai sancionar
A lei da insolação
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Nós somos tolos demais
Desprezamos os políticos
Isso não se faz jamais
Precisamos ser mais críticos
Vamos todos conclamar
Para a fiscalização
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Estou bastante indeciso
Não entendo de partido
Aprender mais eu preciso
Por tudo que tenho lido
Há muito a aprimorar
Basta de indecisão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Tem que haver uma forma
Para o roubo coibir
Precisamos de uma norma
Vamos pensar logo aqui
Não dá tempo de esperar
Esta normalização
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Podemos clamar a Deus
Prá consertar os políticos
Corrigir os erros seus
Excluir os seus futricos
Somente em Deus confiar
Ele pode pôr a mão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar

Arnaud Amorim

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

IGUAL A ELE EU NUNCA VI - PARTE I

Senhor criador eterno
Nosso Deus onipotente
Derrama luz sobre mim
Ilumine a minha mente
Para poder versejar
Uma história comovente

Eu vou relatar em verso
A história de um homem sério
Oriundo do sertão
Cabra macho e de critério
Nascido em trinta e dois
É Francisco Desidério

É excelente pessoa
Cujo nome foi mudado
De maneira carinhosa
Deusdério foi colocado
Com Deus constando no nome
Prá ficar abençoado

De fato é engrandecida
Esta pessoa excelente
Amigo de todo mundo
De uma família decente
Abençoado por Deus
Criador onipotente

Nasceu na fazenda Tanques
No interior do sertão
Ajudava na fazenda
Como se fosse um irmão
Se aproximou de Caiçara
Homem bom da região

Chico sempre foi magrinho
Porém era muito esperto
Andava bem ligeirinho
Longe prá ele era perto
Ao receber qualquer ordem
Logo dizia: - Ta certo

Caiçara já conhecia
O seu jeito diferente
E pensou consigo mesmo
Este jovem é valente
Tem uma grande qualidade
Fala a verdade e não mente

Caiçara estava pensando
Numa pessoa prá ajudar
Seu sogro Chico Amorim
E com ele ir morar
Ajudando na fazenda
Para plantar e limpar

Lembrou de convidar Chico
Prá ir morar na Torada
Fazer as lutas de casa
Lá passar uma temporada
Ele disse: vou na hora
Comigo não tem maçada

Viajaram a cavalo
Levando sua malota
Caiçara ia na frente
Chico contando lorota
Só pra viagem alegrar
Eles contavam anedota

Chico sempre foi ativo
Só andava na carreira
Fazia muitos mandados
E limpava a capoeira
Tirava lenha no mato
E domingo ia prá feira

Lá na feira do mercado
Procurava algum brinquedo
Prás meninas da fazenda
Queria qualquer folguedo
Deolina e Lucineide
Esperavam desde cedo

Como não tinha boneca
Na feira para vender
Ele comprava caixinhas
De papelão prá fazer
Casinhas para as meninas
Seus sonhos arrefecer

Seu Francisco Amorim
Gostou muito do menino
Indagou depois a ele
Prá não fazer desatino
Se ele topava ficar
Ali mudar de destino

- Eu já disse a Caiçara
Que aqui quero ficar
Portanto avise a meus pais
Com o senhor vou morar
Por isso trouxe a bagagem
Um tempo aqui vou passar

Vamos fixar bem os nomes
Prá não fazer confusão
Chico é o personagem
Francisco é o patrão
Agora tudo explicado
Continua a narração

Logo na manhã seguinte
Tirou leite no curral
Tangeu o gado ao cercado
Alegria era total
Aboiava e cantava
Era um jovem bem legal

Precisou ir cortar lenha
Na mata bruta e fechada
Seu Francisco perguntou
Se ele topava a parada
A moagem estava perto
Não tinha lenha cortada

Ele topou de verdade
Amolou logo o machado
Encheu uma cuia d’água
Se embrenhou no cercado
Meteu o machado no mato
E foi pau prá todo lado

Seu Francisco alegrou-se
Com a sua produção
Era lenha à vontade
Tão grande era o montão
Chico ganhou bom dinheiro
Boa gratificação

Cambitou toda esta lenha
No espinhaço de capricho
Ele e o seu jumentinho
Trabalharam como bicho
Mas deu conta do recado
Mesmo ferindo o rabicho

Na época da moagem
Fazia a luta de três
De madrugada corria
A ninguém dava a vez
Cambitava toda a cana
Agia com altivez

Começava a meia noite
Era esperto em demasia
Arreiava os jumentos
Começava a correria
Ninguém nunca o venceu
Lá naquela freguesia

Nas altas horas da noite
Quando a bruma escurecia
Só se escutava Chico
Que cantava e corria
A passarada dormindo
E a cana ele trazia

Era pau prá toda obra
Tudo sabia fazer
Ia para a cantoria
Mas fazia o seu dever
Ali naquela fazenda
E bonito de se ver

Carregava toda água
Trabalhava no galão
Se tivesse arroz com casca
Arrochava no pilão
Depois ia pro cercado
Apanhar o algodão

Se faltasse qualquer coisa
Na fazenda a qualquer hora
Ele então logo dizia:
- Vou comprar tudo agora!
Ia a rua correndo
No escuro ou na aurora

Lá no cercado ninguém
Trabalhava em sua frente
Ele era o primeiro
Fazia tudo urgente
Proceder de forma igual
Nunca apareceu vivente

Seu Francisco convocava
De homens um adjunto
Ele ia com a negrada
Ali sempre de pé junto
Prá limpar mais do que ele
Só o fazendo defunto

IGUAL A ELE EU NUNCA VI - PARTE II

Se andando nas fruteiras
Achasse uma fruta bonita
Madura e bem cheirosa
Fazia logo sua fita
Levava prá dona Amélia
Sua patroa bendita

O fogão lá da fazenda
Era de lenha a chama
Necessitava gravetos
Para acender quando inflama
Todo tarde ele trazia
Gravetos prá sua ama

Numa manhã Lucineide
Queimou-se com leite quente
Precisou comprar remédio
Chico já correu na frente
Não perdeu nenhum segundo
Foi desesperadamente

Chegando lá na farmácia
O remédio não havia
Não voltou, tocou prá frente
Jamais ele voltaria
Sem resolver o problema
Foi a outra freguesia

De madrugada escutaram
De repente um barulho
Era ele na carreira
Chegou trazendo um embrulho
Comprou distante o remédio
Entregou com muito orgulho

Lucineide nunca esqueceu
Este feito importante
Restaurando sua saúde
Num momento cruciante
Diz que nunca recebeu
Gesto de amor semelhante

Trabalhava o dia todo
O suor chega escorria
Chegava em casa a tarde
Para a cidade ainda ia
Seu costume predileto
Era escutar cantoria

Se viesse cantador
De qualquer parte do mundo
Ele não perdia nada
Gostava do verso fecundo
Sentava logo na frente
Seu prazer era profundo

Lá na fazenda havia
Um jumento bem sabido
O seu nome era capricho
Era grande o alarido
Se outra pessoa montasse
Pulava muito o bandido

Ele conhecia Chico
Se gritasse ele atendia
Bastava mostrar o cabresto
Prá perto o bicho corria
Mas se fosse outra pessoa
Capricho já se escondia

Um dia fizeram aposta
Prá ver quem se segurava
Montado no animal
E ver quem agüentava
Quem não caísse do asno
A aposta abiscoitava

Chico montou em capricho
Que não levantou do chão
Um desceu outro subiu
Gritou jumento babão
Começou o pula-pula
Só parou com o outro no chão

Dava pulos e rinchava
Foi grande a presepada
Quis agarrar no pescoço
Capricho deu-lhe uma dentada
O cabra caiu distante
Perdeu a aposta tratada

É que Chico era bom
Amigo dos animais
Dava banho e comida
Não maltratava jamais
Os animais conheciam
Gostavam cada vez mais

Na fazenda havia um burro
Era valente e velhaco
Já mordia todo mundo
Deixava até um buraco
Mas quando Chico ele via
Vinha cheirar-lhe o sovaco

Em suas viagens a noite
Para uma cantoria
Arranjou uma namorada
O seu nome é Maria
Ele gostou muito dela
De amor seu peito enchia

Tudo dele era ligeiro
Noivou marcou o casamento
Amava muito Maria
Não havia impedimento
Seu Francisco deu-lhe apoio
Ali naquele momento

Deu a ele uma casa
Não lhe deixou faltar nada
Aumentou o seu salário
Tinha atenção redobrada
Chico e Maria se amaram
Ali na casa caiada

Assim se passaram anos
Naquela vidinha boa
De dia muito trabalho
A noite muita garoa
Ao verificar o tempo
Vê-se que ele se escoa

Maria lhe deu seis filhos
Anselmo, Selma, Anibal
Todos eles bem criados
Fatinha, Jonas, Aderbal
Uma trinca de meninos
Educados com moral

No ano sessenta e oito
Sendo do século passado
O seu patrão se mudou
Prá cidade aposentado
Muitos anos de trabalho
Só na lembrança guardados

IGUAL A ELE EU NUNCA VI - FINAL

Chico ainda era novo
Foi morar com outros patrões
Com os Gomes e Abel
Cada um com seus senões
Tempo bom ficou guardado
Dentro de seus corações

Quatro anos se passaram
Nada de bom ele via
A situação difícil
Entretanto ele sabia
Que um filho de Francisco
Tinha uma padaria

Só que era em outras terras
Pras bandas de Mossoró
Resolveu ir visitar
Acabar com o codó
Pegou o trem e partiu
Desta vez ele foi só

Deixou os filhos pequenos
Lá no sertão esperando
Ia falar com Arnaud
Nos planos ia pensando
O trem chorava correndo
Ele chorava sonhando

Ao chegar lá em Arnaud
Foi grande a alegria
Relembraram os bons tempos
Que na fazenda vivia
Acertaram um novo plano
Trabalhar na padaria

Cico trouxe a família
Prá esta grande cidade
Construíram uma casa
Foi grande a felicidade
Num terreno de Arnaud
Veja que facilidade

Quando há boa vontade
Amor, consideração
Fizeram casa de taipa
Formaram um mutirão
Com madeira, barro e telha
Houve a inauguração

Chico fazia a entrega
De bolacha e biscoito
Saia na bicicleta
Animado muito afoito
Aumentou a produção
Em sacos mais de dezoito

Já levava dois balaios
Um atrás outro na frente
E não escolhia horário
Meio dia no sol quente
Vendia muita bolacha
Animava toda gente

Os seus filhos aprenderam
Bem depressa a fazer pão
Aníbal era padeiro
Aderbal outra função
Jonas era ajudante
Selma ajudou no balcão

Ele sempre foi correto
Não queria nada errado
Arnaud viajou a praia
Passar lá um feriado
Fizeram raiva a Chico
Que ficou aperreado

Ele saiu escondido
Rumo à praia de Tibau
Carros passvam por ele
Olhava com o olho mau
Andou mais de sete léguas
A pé sem dar um sinal

Tudo porque tinha algo
Para com Arnaud falar
Não permitia ninguém
Que viesse atrapalhar
Andou todo o dia a pé
Até a noite chegar

Os carros buzinavam
E paravam a seu lado
Ele entrava no mato
Caminhava apressado
Ao chegar ao fim da linha
Estava todo rasgado

Ele sempre foi assim
Grande personalidade
Outro dia os fiscais
Aconteceu na cidade
Quiseram lhe humilhar
Mudar a sua verdade

Ele enfrentou os fiscais
Com bastante valentia
Não entregou a farinha
Se portou com maestria
Os fiscais nunca esqueceram
O feito daquele dia

Ele comprou um terreno
Na vila serra do mel
Levou a sua Maria
Foi morar perto do céu
Trabalhou com muito afinco
Merecia um troféu

Foi o lote de mais zelo
E também o mais cuidado
Os cajueiros mais verdes
Tudo limpo e cercado
Ainda hoje comentam
Está tudo registrado

Porém não é no papel
E sim em muitas memórias
Que registram nos anais
A mais intrigante história
De um homem muito humilde
Que merece toda glória

Seu lote assim permitia
Muitos cajus apanhar
Os melhores e mais doces
Que já se viu no lugar
E da serra ele vinha
A muitos presentear

Ele sofreu duro golpe
Perdeu dois filhos amados
Aníbal e Aderbal
Pela mão de Deus tirados
Deixando só a saudade
Nos corações destroçados

Chico ainda está vivo
Morando em Aracati
Pode crer tudo é verdade
O que foi contado aqui
Vai fazer oitenta anos
Em junho que vem aí

Estamos em fevereiro
Dois mil e oito é o ano
Vamos nos fixar no tempo
Que escorrega como um pano
Não espera por ninguém
Na tela do desengano

Hoje quem lhe dar apoio
É o seu filho caçula
Gosta tanto de seu pai
Que o ama, beija e adula
Jonas para vê-lo vai
Sempre dá uma escapula

Para efeito de registro
Vou lhe confessar assim
Foram trinta e oito anos
Que morou com os Amorim
Tempo de muita alegria
Porém tudo tem um fim

Deixo para o personagem
Um preito de gratidão
Por tudo que ele fez
Por nós com dedicação
O Arnaud falado sou eu
Sou grato de coração

Minha esposa sempre chama
Prá irmos a Aracati
Visitar Chico Deusdério
Matar a saudade ali
Relembrar todos os versos
Que eu versejei aqui

Tenho idade avançada
Já vi muitos homens sérios
Vi até na caminhada
Tocadores de saltério
Porém nunca vi igual
Homem de honra e moral
Como Chico Desidério


Arnaud Amorim

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

IRLANDA

Pinto teu quadro, és destemida e forte
Valente igual a índia mais guerreira
Esposa amável, mãe doce companheira
Quão rainha valorosa em sua corte

Deus te quis provar sobremaneira
Permitindo-te dor e sofrimento
Amargura, aflição e desalento
Enfermidade, a mais íngreme ladeira

Contudo, elevaste os olhos para a luz
Clamaste com fé diante de Jesus
Que te amou naquela negra demanda

Restaurou tua sorte deu vitória
O propósito do pai era de glória
És vencedora, grande mulher Irlanda

Arnaud Amorim

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

PROVA DE AMOR

Temos todos o estigma do pecado
Há uma inclinação má dentro de nós
Há bênção e maldição em nossa voz
Querendo o certo, fazemos o errado

Só merecemos a perdição do inferno
Mas Deus nos ama muito e enviou
Seu próprio filho que por nós pagou
Nossa culpa na cruz de modo terno

Ele foi moído por nossas transgressões
Foi humilhado com socos e empurrões
Sofreu na cruz seis horas de terror

Transporta-nos das trevas para a luz
Nosso melhor amigo é Jesus
Morreu por nós na maior prova de amor


Arnaud Amorim

GARIMPO

Liberto o pensamento sem pretexto
Solto-o na amplidão da minha vida
Quero encontrar uma pedra na jazida
No garimpo dos versos do meu texto

Há topázios no meu rio mais distante
Busco pérolas no mar da minha aurora
No topo do monte ainda aflora
Na mente guardo oculto um diamante

No jogo da peneira que despejo
O olhar fixo na pedra do desejo
Encoberta no cume do olimpo

Vou garimpando montes e afluentes
Quero pedras e versos das vertentes
Junto rimas na bateia do garimpo

Arnaud Amorim

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

OS DOIS LADRÕES

Entre dois ladrões Jesus foi crucificado
- Não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo
E a nós também deste mísero esmo
Dizia um deles, igualmente condenado

- Não temes a Deus? estamos em igual juízo
Nós dois merecemos punição pelos delitos
E este justo? nada fez, paga quão maldito
E findou: - Lembra-te de mim no paraíso!

Jesus, como Deus onisciente, conhecia
O coração do homem que o inquiria
E respondeu com voz sonora e terna:

- Hoje mesmo no meu reino estarás comigo
Quão bom ladrão, creiamos em Jesus amigo
Para igualmente ganharmos a vida eterna

Arnaud Amorim

BARRO QUE SOBROU

Quão véu que desce sobre o ser humano
Encobrindo-o com total cegueira
O único foco que vê na vida inteira
São seus feitos e se julga soberano

Em seu pedestal de poder e arrogância
Considera-se igual a deuses poderosos
Constrói para si castelos valorosos
E aspira viver sempre em abundância

Despreza esta condição imponderável
Prestes a se romper, mui vulnerável
Como frágil cântaro que quebrou

Embora se ache bem maior que os céus
E confie tão somente nos poderes seus
Não é nada, é pó, é o barro que sobrou

Arnaud Amorim

MADALENA

Passeia pelas ruas muito serena
Entre calçadas esquinas e bordéis
Procura o amor livre dos motéis
É a mulher pecadora Madalena

Carrega em seminus abismos
Sofreguidão nas praças e sarjetas
Trama em noites escuras muitas tretas
N’alma sente o frio dos cataclismos

Tem no corpo as garras do pecado
Vive amores clandestinos, tudo errado
Mas seu coração, sendo escuro, anseia luz

Basta então do mestre um simples toque
Volta atrás, chora, muda e num enfoque
Corre salva para os braços de Jesus


Arnaud Amorim

ABORTO

Mesmo sendo conflitante
Eu estou nele absorto
De forma bem elegante
Trovejemos sobre o aborto

Trovejemos sobre o aborto
Usemos nossa guarida
Por que querer um feto morto
Se somos a favor da vida?

Se houve concepção
Uma vida iniciou
Ninguém pode matar não
Foi Deus quem autorizou

Quem mata um feto inocente
Comete o maior estrondo
Está agindo cruelmente
Pratica crime hediondo

Autorizar o aborto
É patrocinar a morte
É tornar um feto morto
Tirando-lhe sua sorte

Células se multiplicando
No milagre do amor
De repente alguém matando
Transformando vida em dor

Aborto é vida partida
Quase sempre a mãe consente
Quem é o autor da vida?
Responda conscientemente

Você mataria um filho
Sabendo que vai amá-lo?
Portanto seja empecilho
Não deixe ninguém matá-lo!

Quem defende o aborto
Nunca foi mãe e nem pai
Precisa ter um lado morto
Prá aprender a dizer ai

Prá que matar no inicio
um feto tão singular
Já pensou neste suplicio
Morrer sem poder falar?

Considero algo horrível
Difícil de explicar
Alguém atinar possível
A vida de um ser tirar

(Arnaud Amorim)