quarta-feira, 28 de maio de 2008
PÔR DO SOL
Queres ver um momento de beleza
Em que o bronze da terra em crisol
Vai avermelhando sua clareza
Na vermelhidão de um pôr do sol?
Pares um instante em quieteza
Ouças longe uma canção em bemol
Vejas o bordado de tanta riqueza
Das nuvens doirando o arrebol
O clarão vai morrendo lentamente
Dá-nos a sensação, dentro da gente
Que somos estranhos em outro país
Fiz a experiência esta semana
O êxtase gostoso que emana
Deixou-me imensamente feliz
Arnaud Amorim
MÃE SIGNIFICA AMOR
É o ser mais puro que há no mundo
Com seu coração integro e candente
Seu ventre desfibra o amor fecundo
A chama da vida de sua semente
Chora se o filho está moribundo
Contudo, não demonstra o que sente
Faz uma oração a cada segundo
O filho só cala quando está presente
Se está faminto, dá-lhe o peito terno
Sempre o abriga de seca a inverno
Se adoece sente a mesma dor
Beija seu filho, nina e bendiz
Em seu regaço o faz dormir feliz
Comprovando mãe significa amor
Arnaud Amorim
quinta-feira, 6 de março de 2008
UM LINDO DIA DE DOMINGO
Façamos um programa diferente
Vamos caminhar na praia ali em frente
Sorver ar puro e embelezar a alma
Já basta de prisão em apartamento
Não somos homicidas condenados
Andemos livres por todos os lados
O cabelo solto a saborear o vento
Daremos uma volta no paquete
E uns arremessos com vara e molinete
Na volta iremos marcar um bingo
Esqueceremos o tempo e com atraso
Só voltaremos após vermos o ocaso
Será um lindo dia de domingo !
Arnaud Amorim
A MULHER IDEAL
Usei toda minha criatividade
Queria ter nela toda as qualidades
E conviver com esta dama colossal
Imaginei como minha amada seria
Deveria ter a beleza de helena
O coração perdoador de madalena
E a pureza inviolável de Maria
Juntei todos estes tipos de mulheres
E conclui enfim todo os afazeres
De poeta solitário e sonhador
Ao ver as virtudes desta madona
Eis o entendimento que veio à tona
Tu és esta mulher, oh meu amor!
Arnaud Amorim
quarta-feira, 5 de março de 2008
TRANQUILIDADE SÓ TEREMOS LÁ NO CÉU
Que o homem é um animal muito feroz
Vemos crimes hediondos praticados
Cada dia seu ato é mais atroz
Trombadinhas, assaltantes e criminosos
Tráfico, complôs, armas e munição
Já estamos cada dia mais nervosos
É só o que dá em nossa televisão
Este assunto já virou pura anarquia
Onde está a nossa cidadania?
A constituição só consta no papel?
O medo e a dor marcam meu peito
Convencido estou que não há jeito
Tranqüilidade só teremos lá no céu!
domingo, 2 de março de 2008
CAIÇARA !
Do povo heróico de tua cidade
Olho d’água não esquece tua bondade
Foste seu mandatário de confiança
Primaste pelo bem da coletividade
Sempre plantaste a boa semente
Ainda és lembrado por tua gente
Que guarda um triste preito de saudade
Lembramos aquela homenagem derradeira
Prestada por uma população inteira
A seu filho que ela tanto amara
Os desígnios de Deus não entendemos
Contudo, a tua história enaltecemos
Jamais te esqueceremos, oh Caiçara!
Arnaud Amorim
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
RETRATO DE MINNA CASA
E justamente no meu tempo de menino?
Minha mente gravou tudo no meu tino
Tudo pintado em quadros cotidianos
A casa grande de alpendre e cumeeira
Calçada alta de pedra branca no oitão
Na sala havia um andar térreo igual sótão
Em frente o açude e a serra costumeira
Não esqueço o retrato de minha casa
Está gravado a ferro, fogo e brasa
Na memória viva, está em meu viver
Um dia fui embora para o mundo
Mas não o esqueço nem mesmo um segundo
Está gravado muito forte no meu ser
Arnaud Amorim
KÁTIA, NOTA DEZ!
Trouxeste muita alegria em teu peito
Como gosto de te ver daquele jeito!
Seguraste o bom humor lá na festança
Como é bom quando o riso irradia
Trazendo leveza a todo o ambiente
E assim vai contagiando toda gente
Em pouco tempo quem domina é alegria
Quando criança, eras a maior estrela
Cantavas e todos queriam vê-la
Apresentaste-te de fato como és
Foste a criança refletida num espelho
Mereceste um tapete bem vermelho
Naquela noite a tua nota foi dez!
Arnaud Amorim
domingo, 24 de fevereiro de 2008
AMIGO VERDADEIRO
Perdidos em delitos e grande sofrimento
Na escuridão do abandono e tormento
Íamos na direção do grande horror
Mas Deus nos amou de tal maneira
Que se fez carne e morou entre nós
Pagou na cruz um jugo muito atroz
Para nos dar a vida eterna e inteira
Temos bússola, direção e um norte
Ele é homem e também é Deus forte
Já não somos simples aventureiros
Esperamos tão somente o grande dia
Em que seremos chamados com alegria
Pelo Rei dos reis, amigo verdadeiro
Arnaud Amorim
domingo, 17 de fevereiro de 2008
HORMÔNIOS
O momento adequado e oportuno
Na puberdade fazem quão netuno
Vão seus ciclos de ação iniciando
Pelos, barba e voz, a chama acesa
No macho vem agindo a testosterona
O estrogênio na mulher igual madona
Dá-lhe as formas sinuosas da princesa
Basta um olhar, um toque, estimulação
Na plenitude do amor há fecundação
O milagre da vida ocorre, irradia
Na velhice voltam à inatividade
Vai apagando a chama nesta idade
Tudo termina da forma que principia
Arnaud Amorim
sábado, 16 de fevereiro de 2008
MARTA OU MARIA?
Uma quedava-se a seus pés e o ouvia
Estava ávida pelos seus ensinamentos
Perdoada sentia o alivio dos tormentos
Escolhera a boa parte, esta é Maria
A outra corre e do trabalho não se farta
Viu a irmã, aos pés do mestre e reclama
Como ficar assim inerte, não me ama?
Senhor, ordena que me ajude! esta é Marta
Oh Marta por que estás tão inquieta?
Deixa-a extravasar com o profeta
Faz o melhor e quem daqui a tiraria?
Como tenho usado os tempos meus?
Só trabalho e correria ou paro para Deus?
Tenho feito como Marta ou Maria?
Arnaud Amorim
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
VÃ LOUCURA
Rasgando céus somente a letra morta
O líquido fluiu em evaporação
Resta um extra-uterino em vida torta
Carro desgovernado em solo americano
Artigo escrito em jornais espanhóis
Paixão solitária frente ao órgão humano
Ser vivente, brisa escura sem ver sóis
Vida imersa nesta constante disputa
Galga e solta o ar em contínua luta
Inconstante ser que arranha e segura
Pensamentos vãos, correntes disparadas
Que rasgam céus nas loucas madrugadas
Devaneios surreais de vã loucura
Arnaud Amorim
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
IRLANDA
Valente igual a índia mais guerreira
Esposa amável, mãe doce companheira
Quão rainha valorosa em sua corte
Deus te quis provar sobremaneira
Permitindo-te dor e sofrimento
Amargura, aflição e desalento
Enfermidade, a mais íngreme ladeira
Contudo, elevaste os olhos para a luz
Clamaste com fé diante de Jesus
Que te amou naquela negra demanda
Restaurou tua sorte deu vitória
O propósito do pai era de glória
És vencedora, grande mulher Irlanda
Arnaud Amorim
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
PROVA DE AMOR
Temos todos o estigma do pecado
Há uma inclinação má dentro de nós
Há bênção e maldição em nossa voz
Querendo o certo, fazemos o errado
Só merecemos a perdição do inferno
Mas Deus nos ama muito e enviou
Seu próprio filho que por nós pagou
Nossa culpa na cruz de modo terno
Ele foi moído por nossas transgressões
Foi humilhado com socos e empurrões
Sofreu na cruz seis horas de terror
Transporta-nos das trevas para a luz
Nosso melhor amigo é Jesus
Morreu por nós na maior prova de amor
Arnaud Amorim
GARIMPO
Liberto o pensamento sem pretexto
Solto-o na amplidão da minha vida
Quero encontrar uma pedra na jazida
No garimpo dos versos do meu texto
Há topázios no meu rio mais distante
Busco pérolas no mar da minha aurora
No topo do monte ainda aflora
Na mente guardo oculto um diamante
No jogo da peneira que despejo
O olhar fixo na pedra do desejo
Encoberta no cume do olimpo
Vou garimpando montes e afluentes
Quero pedras e versos das vertentes
Junto rimas na bateia do garimpo
Arnaud Amorim
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
OS DOIS LADRÕES
Entre dois ladrões Jesus foi crucificado
- Não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo
E a nós também deste mísero esmo
Dizia um deles, igualmente condenado
- Não temes a Deus? estamos em igual juízo
Nós dois merecemos punição pelos delitos
E este justo? nada fez, paga quão maldito
E findou: - Lembra-te de mim no paraíso!
Jesus, como Deus onisciente, conhecia
O coração do homem que o inquiria
E respondeu com voz sonora e terna:
- Hoje mesmo no meu reino estarás comigo
Quão bom ladrão, creiamos em Jesus amigo
Para igualmente ganharmos a vida eterna
Arnaud Amorim
BARRO QUE SOBROU
Quão véu que desce sobre o ser humano
Encobrindo-o com total cegueira
O único foco que vê na vida inteira
São seus feitos e se julga soberano
Em seu pedestal de poder e arrogância
Considera-se igual a deuses poderosos
Constrói para si castelos valorosos
E aspira viver sempre em abundância
Despreza esta condição imponderável
Prestes a se romper, mui vulnerável
Como frágil cântaro que quebrou
Embora se ache bem maior que os céus
E confie tão somente nos poderes seus
Não é nada, é pó, é o barro que sobrou
MADALENA
Passeia pelas ruas muito serena
Entre calçadas esquinas e bordéis
Procura o amor livre dos motéis
É a mulher pecadora Madalena
Carrega em seminus abismos
Sofreguidão nas praças e sarjetas
Trama em noites escuras muitas tretas
N’alma sente o frio dos cataclismos
Tem no corpo as garras do pecado
Vive amores clandestinos, tudo errado
Mas seu coração, sendo escuro, anseia luz
Basta então do mestre um simples toque
Volta atrás, chora, muda e num enfoque
Corre salva para os braços de Jesus
Arnaud Amorim
TRAIÇÃO
Em qualquer terreno da existência
Criam-se laços, afetos com decência
Investem-se amor e dedicação
Plantados em toda uma comunidade
Em muitos anos com pleno atendimento
Oportunizando grande reconhecimento
Dos cidadãos da municipalidade
Num embate único a prefeito
O conclave tinha tudo prá ser perfeito
Com benesses a toda população
A injustiça se perpetra num só dia
Negam-lhe uma simples maioria
Apunhalam-no por trás em vil traição
Arnaud Amorim
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
AS DUAS FACES DO CARNAVAL
Numa, mostra as lindas cores da avenida
Num quadro surreal em que a própria vida
Está pintada em todos os tons e tintas
O outro lado é triste e bem diferente
Retrata telas absurdas e ridículas
Pinçadas do global em várias partículas
Expressando o mal que reina em tanta gente
Vi safanões e murros no trio elétrico
Disputas desiguais e pasmo, tétrico
Camufladas, mas patentes e bem reais
Quão bom se tivesse apenas uma face
E nela contida somente nos mostrasse
As alegrias de todos os carnavais
Arnaud Amorim