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domingo, 6 de julho de 2008

FRAGMENTO


Sou um simples fragmento
Perdido na amplidão
Sómente meus pensamentos
A tudo resistirão
(Arnaud Amorim)

MAS HÁ UMA RESTRIÇÃO
A QUAL VOCÊ NÃO SABIA
TROUXE CONSIGO A MISSÃO
DE SER MESTRE EM POESIA
(Carlos Aires)

Ser mestre em poesia
E com a trova mais fina
Sei até a moradia
É o poeta de Carpina
(Arnaud Amorim)

O POETA DE CARPINA
LHE AGRADECE COM CERTEZA
FAZEMOS VERSOS,POIS DEUS
NOS DOTOU DESSA GRANDEZA
OS ELOGÍOS AGRADEÇO
MAS SEI QUE O ENDEREÇO
DO POETA É EM FORTALEZA
(CARLOS AIRES)

Digo-lhe com inteireza
Pois tenho conhecimento
Quem nos dá toda a destreza
É o Rei do firmamento
Criou a diversidade
Com muita graça e bondade
E me ajuda no momento
(Arnaud Amorim )

QUEM NOS DEU ESSE TALENTO
DE FABRICAR POESIA
NOS DEU FORÇA DE VONTADE
VERVE E SABEDORIA
E SE ISSO NÃO BASTASSE/
PERMITIU QUE SE FORMASSE/
ESSA NOSSA PARCERIA
(CARLOS AIRES)

Esta nossa cantoria
Já está fazendo escola
E eu na minha euforia
Já comprei uma viola
Vamos juntando os repentes
Alegrando estas gentes
e dando este show de bola
(Arnaud Amorim)

SUA IDEIA ME CONSOLA
MAS COMIGO NÃO SE ALINHA
VOCÊ TEM SUA VIOLA
EU AINDA NÃO TENHO A MINHA
E NEM PRETENDO COMPRAR
POIS SÓ APRENDI TOCAR
ATÉ HOJE CAMPAINHA.
(CARLOS AIRES)

Você toca campainha
Pois já vai na dianteira
Aquela viola minha
Foi apenas brincadeira
Quis aprender violão
Quando peguei a lição
Não passei nem da primeira
(Arnaud Amorim)

MAS A NOSSA BRINCADEIRA
TÁ VIRANDO COISA SÉRIA
UM PEQUENO FRAGMENTO
TORNOU-SE NUMA MATÉRIA
DE VOLUME E DE GRANDEZA
DANDO A NÓS DOIS A CERTEZA
QUE NÃO SOMOS DE PILHÉRIA.
(CARLOS AIRES)

Não é festa eleutéria
E ninguém está de baixo
Nem é rima deletéria
Pois nós somos cabras machos
Embora de outras cidades
Temos a mesma idade
Somos mel do mesmo tacho
(Arnaud Amorim)

NESSA HISTORIA EU ME ENCAIXO
NÃO VOU SAIR DESSE CLIMA
JÁ BOTEI FOGO NO FACHO
PRA ESQUENTAR MINHA RIMA
ESPERO A SUA CONDUTA
PRA QUE A NOSSA DISPUTA
TORNE-SE UMA OBRA PRIMA.
(CARLOS AIRES)

Isto é da minha estima
Revigora meu encanto
Nem abaixo nem acima
Mas cada um no seu canto
Na conduta da alegria
Disputando poesia
Para o povo do recanto
(Arnaud Amorim)

ISSO É QUE NOS CAUSA ENCANTO
CARO, ARNAUD COM CERTEZA
ESCREVER NESSE "RECANTO"
PARA NÓS É UMA GRANDEZA
COM REGRA E COM DISCIPLINA
EU ESCREVENDO EM CARPINA
E VOCÊ EM FORTALEZA
(CARLOS AIRES)

Para mim é uma beleza
Poder com Carlos versar
Por pratos limpos na mesa
E a todos encantar
Com a beleza da rima
E com astral bem prá cima
Esta canção entoar
(Arnaud Amorim)

EU QUERO CUMPRIMENTAR
O POETA DE FORTALEZA
POR SABER TÃO BEM RIMAR
E POETAR COM BELEZA
E TER O MERECIMENTO
DE UM PEQUENO FRAGMENTO
CRIAR VOLUME E GRANDEZA.
(CARLOS AIRES)

Minha vida hoje é tristeza
Meus netinhos foram embora
Levando toda a beleza
Deste velho avô que chora
Agradeço seu recado
Deixou-me mais consolado
Desde ontem até agora
(Arnaud Amorim)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A LUA SORRIU

A lua sorriu pra mim
Eu estava na janela
E fiquei feliz assim
Também sorrindo pra ela

sexta-feira, 9 de maio de 2008

VARA CURTA

Cutucou a onça com vara curta
Levou uma patada, arranhou a cara
Ficou calado, nunca mais se furta
Ao ver a tigre arguta, nunca mais encara

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

FILO (TROVANDO)

Se todo ser vivente
Olhasse mais para Deus
Seria mais complacente
Com os próximos seus

Quão bom se todas as gentes
Vivessem mais em amor
Estaríamos todos crentes
Que a vida tem mais valor

O tempo é curto demais
Para ser desperdiçado
Não desperdicemos mais
Cada segundo passado

Se nossa vida na rua
Está minada de medo
Vamos brincar com a lua
E aprender seu folguedo

Ontem a noite na janela
A lua olhou prá mim
Eu também olhei prá ela
Só faltou o bandolim

Arnaud Amorim

ELEMENTOS TÃO GRAVES

Assuntos tão financeiros
Que envolvem tanto óleo
Não podem ser corriqueiros
Mostrando seu portfólio

Não pode serem roubados
Uns elementos tão graves
Merece serem guardados
Debaixo de sete chaves

O petróleo hoje está
A cem dólares o barril
Isto dá pra explicar
Porque esta ação tão vil

Não se trata de um jogo
Ou brinquedo infantil
É muito mais desafogo
No progresso do Brasil

Arnaud Amorim

A COR DA SAUDADE

A saudade tem cor como
A paz, amor e alegria
É vermelha igual ao bromo
Mas dela tenho fobia

Mas pode mudar de cor
E muda de forma lenta
Se é caso de amor
Ela então fica cinzenta

O cinza que aqui saiu
Quero consertar e digo
É mais prá cor de anil
Que representa o indigo

Saudade faz analogia
Ao arco-iris então
Cinco cores irradia
Lá dentro do coração

Reflete a cor na mente
Azul, roxo e amarelo
Vai doendo lentamente
Tritura como farelo

Vai dependendo do tipo
Da saudade qu’é sentida
A cor varia, antecipo
Conforme a dor sofrida

Se há paixão recolhida
Sua dor é aumentada
E a cor lá refletida
É então alaranjada

Mas não esqueça porém
Que há mistura de cores
Com isso aumenta também
As matizes e suas dores

Quero ser bastante franco
Veja então como se faz
Fique perto e viva o branco
E a saudade vira paz


Arnaud Amorim

A MORTE FOI TRAGADA NA VITÓRIA

Já fui muito revoltado
E chorei de fazer dó
Pois meu corpo tão cuidado
Um dia virará pó


Não aceitava que Deus
Permitisse isso comigo
Fazer todos órgãos meus
Passar por tão vil castigo


Se Deus me desse poder
Com toda intensidade
Eu preferia viver
Por toda eternidade


Agora estou mais feliz
Pois Jesus está na glória
E Ele mesmo nos diz:
"Traguei a morte em vitória


Como eu ressuscitei
Ressuscitarás também
Para aqueles que chamei
Que ouvem e a mim vêm"

Arnaud Amorim

ALGUÉM VAI LEMBRAR DE MIM

Trovas têm muita valia
Vou versejando assim
Bem depois talvez um dia
Alguém vai lembrar de mim

Vou sair do anonimato
E passar a ser estrela
Mesmo trovador pacato
Serão muitos a querer vê-la

Minha estrela estava morta
Mas agora ela brilhou
Já se abriu a comporta
Muita água a lavou

Eu era bastante triste
Ninguém mais me conhecia
Porque ainda não viste
Esta minha cantoria?

Canto em verso e prosa
Corro cedo pro jardim
Escolho cheirosa rosa
E te ofereço assim

Arnaud Amorim

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

ABORTO

Mesmo sendo conflitante
Eu estou nele absorto
De forma bem elegante
Trovejemos sobre o aborto

Trovejemos sobre o aborto
Usemos nossa guarida
Por que querer um feto morto
Se somos a favor da vida?

Se houve concepção
Uma vida iniciou
Ninguém pode matar não
Foi Deus quem autorizou

Quem mata um feto inocente
Comete o maior estrondo
Está agindo cruelmente
Pratica crime hediondo

Autorizar o aborto
É patrocinar a morte
É tornar um feto morto
Tirando-lhe sua sorte

Células se multiplicando
No milagre do amor
De repente alguém matando
Transformando vida em dor

Aborto é vida partida
Quase sempre a mãe consente
Quem é o autor da vida?
Responda conscientemente

Você mataria um filho
Sabendo que vai amá-lo?
Portanto seja empecilho
Não deixe ninguém matá-lo!

Quem defende o aborto
Nunca foi mãe e nem pai
Precisa ter um lado morto
Prá aprender a dizer ai

Prá que matar no inicio
um feto tão singular
Já pensou neste suplicio
Morrer sem poder falar?

Considero algo horrível
Difícil de explicar
Alguém atinar possível
A vida de um ser tirar

(Arnaud Amorim)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

AMOR DE MULHER NOVA

Mulher nova é uma fonte
De eterna juventude
Que joga água no monte
Sem olhar a altitude

Ela tem muita energia
É grande o potencial
Derrota a infantaria
Pode em muitos dar quinau

É bastante resistente
Como o tronco do angico
Não vá com ela, nem tente
Não queira pedir penico

Outrossim pode ser frágil
Como o botão de uma flor
É doce, amena e ágil
Repleta de forte fragor

Pode ser como um fogão
Que esquenta lentamente
Depois que tá bem quentão
Queima a mão de muita gente

Na cama é um vulcão
É um perigo iminente
Queima até um batalhão
Com a sua lava quente

Ela grita muito e chora
No momento do amor
Instrui o homem nesta hora
A gemer sem sentir dor

Velho também geme e chora
Faz isso a noite inteira
Chama a mulher e implora
Remédio pra caganeira

Eu vi um velho gemendo
Agarrado com a mulher
Mas não era amor fazendo
Tirava um espinho em seu pé

Tem homem que ainda atesta
Dar conta de mulher nova
Está furando a testa
E cavando uma cova

Este buraco na testa
Além do que é pensado
Também ainda se presta
Para um chapéu furado

Mas não venha perguntar
Para que é este furo
Porque não quero brigar
Sou um homem muito puro

Pode ser para uma fita
Ou algo assim enfeitado
Pra chamar mulher bonita
A sentar-se em seu lado

Mas diz o popular dito
Coco maduro dar leite
Portanto não fique aflito
Já leu tudo, se deleite

Tudo aqui é brincadeira
Não vá se zangar comigo
Não leve em conta a zoeira
Pois quero ser eu amigo

Mas que mulher nova é forte
Ninguém nega a fortaleza
Todos sabem do seu porte
Da sua grande firmeza

Digo prá finalizar
Fecho com chave de ouro
Se ela com velho casar
É pensando em seu tesouro

Teria outra razão
Para ter tão triste sina
Acender o seu fogão
Soprando uma lamparina?

Ora que situação
Isso não está com nada
Bastante aceso o fogão
E a lamparina apagada


Arnaud Amorim

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A VIDA É UM PASSATEMPO

Na longa estrada corrida

A vida é um passatempo

O tempo passa na vida?

Ou a vida passa no tempo?


Arnaud Amorim

sábado, 12 de janeiro de 2008

DROGA

Começa com um carinha
Dizendo que é legal
Dê aqui uma tragadinha
Et cetera coisa e tal

Como o próprio nome diz
A droga é química forte
Começa tudo feliz
E sempre termina em morte

Mas há uma diferença
Traficante e viciado
Um é crime outro doença
Porém tudo é complicado

É escravo, o viciado
Do cracker e da maconha
Ele é um pobre coitado
Perde até sua vergonha

Em sua abstinência
Ele mata p’ra comprar
Muda o rumo da existência
E depois vai se drogar

Mata irmã, a mãe e o pai
A procura de dinheiro
Compra droga e assim vai
Usá-la o dia inteiro

A droga é a maior balela
Dos males o mais profundo
Não queiras nada com ela
Se queres viver no mundo


Arnaud Amorim

SAUDADE DE MINHA FILHA

Sai, saudade, da minha ilha
Vá p’ra outro oceano
Preciso ver minha filha
Não posso esperar um ano

O tempo passou ligeiro
Antes de você sair
Será mais um ano inteiro
Machucando por aqui

Que prazer você alimenta
Por que fere tanto assim?
Ameniza esta tormenta
Tem piedade de mim!

Quem inventou a saudade
É porque nunca bebeu
O cálice da soledade
Ou então jamais sofreu

Arnaud Amorim

ILUSÃO

Na ilusão passei um ano
E não entendia a essência
Vi depois que era engano
De uma falsa aparência

O meu sonho ficou cheio
De quimera e confusão
E senti que o devaneio
Burlava minha ilusão

Arnaud Amorim

CIÚME

O ciúme é sentimento
Suspeita de invasão
Traz bastante sofrimento
E machuca o coração

Mesmo que seja branco
Como a cor do algodão
Ou parecendo até franco
Mas tem sua emulação

É bastante doloroso
Traz Inveja ou despeito
Tira do casal o gozo
E o enche de defeito

Gente de qualquer idade
Pode então utilizá-lo
Ter sua rivalidade
É do ciúme que falo

O pior caso que tem
E isto é muito certo
É a mulher querer bem
Separar e morar perto

Só um pouquinho é bom
É prova até de zelo
Não pode é sair do tom
E já vem o desmantelo

Quem vai querer seu amor
nos braços de outro alguém?
Ser corno por onde for
E tratado com desdém?

O ciúme quando é cego
Faz o ser perder o norte
Cresce o ódio no seu ego
Pode terminar em morte

Para evitar o queixume
Nas cordas do coração
E abrandar o ciúme
Só a consideração

Arnaud Amorim

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

EU BRIGADOR DE MIM

O que de fato me anima
Ao fazer a minha loa
É que quando acerto a rima
Dou uma gargalhada boa

Assim extravaso a alma
Na onda da emoção
E o verso então acalma
A corda do meu coração

E então sigo trilhando
Os caminhos encantados
Com os meus versos brilhando
Numa tela projetados

Minhas façanhas vou contar
Com bastante fé e esmero
Mas queira me perdoar
Se tiver algum exagero

No dia que amanheço
Com um presságio ruim
Visto a calça pelo avesso
E sou brigador de mim

Neste dia se me atiça
A vontade de brigar
Faço padre dizer missa
Santo descer do altar

Faço quem não tem dinheiro
Seu rumo logo mudar
Sair correndo ligeiro
Comprar fiado e me dar

Acredite se quiser
Eu não vou forçar ninguém
Pois se isso eu fizer
Vou lhe machucar também

Sem farinha faço pão
No deserto planto horta
Mato cobra com a mão
E mostro a cobra morta

Mergulho nos oceanos
E nos vales mais profundos
Transito todos os anos
Por todas as partes do mundo

Viajo pelas estrelas
Da minha linda fantasia
Pois quando vou lá vê-las
Renovo minha alegria

Seguro nos raios do sol
Tiro sal d'água do mar
Pesco peixe sem anzol
Na lua posso sentar

Nos sete mares navego
Sem navio e nem canoa
Se perguntarem não nego
Durmo dentro de uma lagoa

Com ninguém tenho intriga
Você então pode crer
Mas se entro numa briga
Boto todos pra correr

Um dia me escolheram
P’ra brigar numa mutreta
Mais de cinqüenta correram
Somente com minha careta

Minha rapidez foi tamanha
Lá para a serra do mel
Apanhei dez mil castanhas
Na aba do meu chapéu

Domo animais ferozes
Até o leão mais valente
Grito com as mais altas vozes
Com quem cruzar minha frente

Já na minha pescaria
Mato os peixes no porrete
E vou juntando na bacia
Sem uso de molinete

O meu sopro é tão forte
E não é mentira não
Que o ar vai ao pólo norte
Rodando como um pinhão

Dei um chute numa bola
E a bicha foi tão ligeiro
Que só o sopro da sola
Matou o pobre goleiro

E é porque não sou atleta
E também não sou ciclista
Não ando de bicicleta
E nem corro lá na pista

Escrevi um livro todo
Sem caneta e sem papel
E o enterrei no lodo
De uma nuvem lá no céu

Derrubo um boi valente
Sem corda e sem gibão
Só em passar em sua frente
Ele cai teso no chão

Assim sou bastante macho
Daquele que masca fumo
Não preciso de capacho
Para seguir o meu rumo

Gosto muito do meu jogo
E o faço todo dia
Pois ainda tiro fogo
Na casca da melancia

Vou encerrando assim
Esta trova exagerada
Despeçam então de mim
Muito obrigado: por nada

Arnaud Amorim

domingo, 6 de janeiro de 2008

Costume de antigamente

O costume antigamente
Do falar até o vestir
Era tudo diferente
Deixe-me contar aqui

Havia em tudo respeito
Até na roupa de mulher
Era comprida de um jeito
Que ia quase até o pé

Homem não usava brinco
Isso é coisa de mulher
Usa calça com vinco
De Antonio a Xavier

A mulher era feminina
Usava vestido e saia
Se errasse a sabatina
Levaria uma vaia

Para se alimentar
Era tudo natural
Não existia CA
Nem de mama ou vesical

Arnaud Amorim

Namoro de outrora

Veja como procedia
Há algum tempo atrás
Era o pai quem escolhia
A família e o rapaz

Se alguém fazia parelha
Bem junto ao seu coração
Já nascia uma centelha
Do fogo de uma paixão

P'ra namorar a donzela
Só com o consentimento
E p'ra dar um beijo nela
Só depois do casamento

Mesmo que ele insistisse
Pegar na mão não podia
Se com a moça bulisse

Ou casava ou morria

Eles sentavam na sala
E alguém sentava em frente
E não usavam a fala
Pra dizer coisa indecente

Casar de branco era lindo
Ali na frente do altar
Todos já estavam vindo
A benção de Deus suplicar

Mas de branco só casava
A noiva purificada
Que ainda não transava
Nem fora desvirginada

Arnaud Amorim

Família no meu tempo

A família era assim
No meu tempo de rapaz
Mas não pergunte a mim
Se ainda hoje isso se faz

Não era nenhum desatino
Fazer amor em profusão
E gerar muito menino
Não tinha televisão

Para a mulher parir
Cesariana não existia
Muita dor ia sentir
Mas o menino nascia

A mulher amamentava
Como aquela mãe que ama
E assim nunca pegava
Nenhum CA em sua mama

O filhos então cresciam
Todos eles na escola
Brincar na rua não podiam
Nem correr atrás de bola

Quando um pai dizia não
Todo mundo obedecia
Não tinha essa esculhambação
Que acontece hoje em dia

Existia compromisso
E amor a toda hora
Se a mãe dizia: Faz isso
A resposta era: sim senhora

Os pais criavam os filhos
Todos eles trabalhando
E assim seguiam nos trilhos
Nem roubando, nem matando

O tempo hoje está pior
Desculpe minha ousadia
Porque só temos melhor
Ciência e tecnologia

Arnaud Amorim