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domingo, 6 de julho de 2008

MINHA YASMIN

Esta é a rosa mais perfumada
Que Deus colocou no meu jardim
Entre todas é igualmente amada
Minha cheirosa rosa YASMIN

Não sei porque ela foi embora
Malvadeza tiraram-na de mim
Desde ontem meu coração ainda chora
Por favor tragam minha YASMIN

quarta-feira, 11 de junho de 2008

LINDA NATUREZA

Nós que nascemos sem nada
Encontrarmos a beleza
Desta linda natureza
Que dádiva abençoada !
Termos ar pra respirar
Água pra nos saciar
No chão se planta a semente
E de forma comovente
Nasce uma bela fruteira
Que nos dá na vida inteira
O alimento fecundo
Há outras bênçãos no mundo
O astro rei, belo sol
Que aquece e no arrebol
Pinta uma tela linda
Mas encontramos ainda
Os movimentos do mar
Com suas vagas a espumar
E a beleza da lua
Sempre a pratear a rua
Mas em toda a plenitude
Pra mim a maior virtude
É Deus ter criado as flores
Com variados fragores
E a perfeita sintonia
Com toda esta harmonia
Que existe na imensidão
E nosso Deus de bondade
Fez tudo com autoridade
E nos colocou neste chão

MINHA LINDA SABIÁ

Minha linda sabiá
De pena clara na gola
Vivia sempre a cantar
Em sua bela gaiola
Com seu canto aveludado
Triste e cadenciado
Cantava toda gabola

Que saudade eu sinto dela!
Nunca mais a vi cantar
Hoje estava na janela
Ouvi outra sabiá
Pense na felicidade
Matei um pouco a saudade
De minha linda sabiá

RESPINGOS DE SAUDADE

A lua branca altaneira
Nascia na serra em frente
Pintando de branco a gente
Tão linda e tão faceira

Sua tintura prateada
Se espalhava pela mata
Transformava tudo em prata
Também pintava a calçada
E toda a meninada
No terreiro se juntava
E ali a gente brincava
Correndo pelo terreiro
Ganhava o mais ligeiro
Gastava toda energia
Naquela grande alegria
Até minha mãe chamar:
Meninos, venham deitar!
Na sala as redes armadas
Algumas telhas quebradas
Deixavam a lua passar
E ali descia o clarão
Que vinha até o chão
De prata o piso pintar

Que bela a claridade
Pela porta o açude em frente
Parecia uma brasa ardente
São respingos de saudade!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

SEGURO PRÁ NÃO CHORAR!


A casa branca caiada
Onde morou tanta gente
Hoje está indiferente
Totalmente abandonada
A porta está fechada
E o povo foi embora
A biqueira hoje chora
Chorando sobre a calçada
No terreiro criou mato
E o rebanho de patos
Não mais volta pro chiqueiro
Não adianta dinheiro
Se está tudo abandonado
O açude arrombado
A saudade dói no peito
O engenho com defeito
Não fabrica rapadura
Na lembrança a amargura
De um tempo que passou
E no meu peito marcou
Somente a doce lembrança
De um tempo de bonança
Meu pai na espreguiçadeira
E minha mãe na soleira
Sentados a conversar
Hoje é somente lembrar
Nada disso existe mais
Não posso rever jamais
Seguro pra não chorar...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

TEMPO MAIS FELIZ DA MINHA VIDA


As lembranças na mente vão passando
Parece a gravação de uma longa fita
Recordando uma passagem tão bonita
Da vida na fazenda eu lembro quando
De manhã ainda cedo o sol brilhando
Nós batíamos as enxadas no terreiro
A passarada cantava o tempo inteiro
Mamãe fazia um café reforçado
Coalhada e cuscuz bem misturado
E depois seguíamos pra vazante
Meus irmãos mais velhos iam adiante
Todo mundo seguia bem contente
Cantando ou embolando um repente
Nesta hora se ouvia uma canção
Todos de calça curta e pé no chão
Era grande a animação e alegria
E maior a limpa naquele dia
A vazante ficava uma beleza
As dez horas o almoço já na mesa
Feijão de corda, carneiro, arroz de leite
Naquela mesa grande, um deleite!
A sobremesa era rapadura
Do pote se tirava água pura
E voltava pra vazante novamente
E de novo pegava no batente
Só largava por volta de cinco horas
E mesmo assim antes de ir embora
Um bom banho no açude se tomava
Uma casaca de couro ali cantava
Uns nadando e outros dando pinote
Na pedra eu pegava um caçote
Pra pescar uma traira de anzol
Na serra lá atrás o pôr do sol
Pintava uma linda aquarela
Na mesa a coalhada na panela
Todo mundo comia satisfeito
Depois sentava lá no parapeito
Papai deitava na espreguiçadeira
Mamãe sempre sentava na soleira
A família toda ali reunida
Todo mundo contava sua lida
Se a lua brilhava no nascente
Mais alegrava o coração da gente
Foi o tempo mais feliz da minha vida

Arnaud Amorim

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

23 DE JANEIRO

Pedi a Deus inspiração
Pra escrever meu poema
Ele não deu
Doeu
Também quis imitar os seus profetas
Coisas divinas e secretas
Ele não permitiu

Ele não foi solidário
Nem hoje
Dia do meu aniversário
Até o tempo
Negou-me suas cores
De aquarela
Ficou branco
Cinza
Baço
Deixou minha visão destorcida
Não vi nenhuma folha caída
No outono de meus anos
Desenganos

Balançar a minha vida
Não quero
É coisa demais
Ficou pra trás

Quero mais olhar o futuro
Escuro
Não obstante está tateando
Espero porém o lume do relâmpago
Mesmo que seja seguido do trovão
E que esta cor sem cor
De branco gelo
Se condense em chuva
Água
Pura
Lave-me
Limpe os céus
Do oriente até o ocidente
Dê-me a visão de um lindo ocaso
De arrebol
E me dê um lindo por do sol
Mitigando as dores dos meus versos
O ano inteiro e
Hoje, 23 de janeiro.

Arnaud Amorim

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O BEM E O MAL

O Mal e o bem estão brigando
Luta acirrada
Todos os dias morre alguém
Do bem
E do mal.

A luta já inicia
Na microbiologia
Bactérias patógenas brigam
Com as zimógenas
Muitas vezes as patógenas vencem
E comemoram
Levando a vítima à decomposição.

No campo espiritual a guerra está lançada
Luta invisível
Batalha transcontinental

No tabuleiro humano também
A disputa está travada
Luta armada
Horrenda
Animalesca
O mal cresce a olhos vistos
Inapelável
A cada dia
A guerra está digladiando a paz
Todos os dias
Nos trazendo
Apreensão
É uma questão de vida ou morte
O medo é geral
Por que tanto mal?
O ódio está sufocando o amor
Ouço o grito silencioso
Da minha alma
Pára!!!

Até quando?

Eu sou do bem
Mas estou temendo
Ser suplantado
Pelo mal.

Arnaud Amorim

O TEMPO

Como passa rápido
O tempo
Parece que está correndo em disparada...
Domingo, segunda, terça-feira...
De repente chega o domingo novamente...

E assim tudo vai passando, nesta correria...
Implacável
Inexorável
Já chegamos a 2008

Será que já estamos no fim dos tempos?
Falam que todas as coisas serão apressadas
Abreviadas!

Com ele a sua própria ação
Devastadora
Tudo fica velho,
Estraga,
Enferruja, enruga,
Cria fungo.

Que droga!

Eu mesmo
Vejo minhas mãos
Envelhecidas
Olho para o meu rosto
Quase não me reconheço mais!

Até meus filmes super oito
Todos estragados,
Arranhados

Ah! Se eu pudesse dominar o tempo
Segurá-lo
Mas não tenho este poder!
O Deus eterno é quem o tem.

Se tivesse...

Eu voltaria os ponteiros do tempo
Daria varias voltas
No sentido anti-horário

Até chegar em 1979
E filmaria tudo outra vez

Ou...
Sei lá...
Trocaria os algarismos de minha idade
Colocaria o um antes do seis

Pronto!
Jovem outra vez
Com dezesseis.

Mas não posso
Sou fraco,
Pequeno,
Impotente.

Im
Pó
Tente

Não adianta tentar
Ele é teimoso
E no seu caminhar tic tac, tic tac
só vai para a frente

Oh tempo!

Arnaud Amorom

sábado, 12 de janeiro de 2008

QUERO

Viver os sonhos mais ousados
De um amor vivenciados
Firmado em fortes raízes
Pela chuva que molhou
Quero gozar todo encanto
Desfrutar lindas matizes
Amar quem sempre me amou
Ser grato a Deus por tanto
E vivermos assim felizes

Arnaud Amorim

UTOPIA

Imagino todos vivendo em união
Pais olhando os filhos nos olhos
Alegres
Filhos abençoados
Amados
Mães verdadeiras
Videiras
Esposas dadivosas
Rosas.

A violência acabou!
E a guerra?
Encerra!
Agora só prevalece a paz

Trabalho para todos
Dignidade
Em todas as cidades

Saúde total
Não há febre de nenhuma cor
Nem amarela
Que legal!

Agora sim
Vale a pena viver!

Como isto bom seria!
Utopia.

Arnaud Amorim

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

MEMÓRIA ROM

Lembranças que não podem ser apagadas
Só acessadas
Na minha memória estão fincadas
Registradas.

Passam como um vídeo tape
Na lembrança
Eu menino, na fazenda, brincando ou a pastorear.

Depois vindo montado no capricho
No meio dos caçuás
Vindo para a cidade grande, estudar.

Passam vários quadros por segundo
Do colégio, professores, dos colegas de carteira
Nós sentados ouvindo histórias marcadas,
Marcantes,
Ulisses o guerreiro, Helena de tróia , Dante

Incrível como nada muda,
O tiro de guerra, farda verde, um dois, um dois
A marchar...

São sonhos lindos de quimera
Quem me dera
Poder de novo tudo fazer
É só memória, só posso reviver

Minha musa aparece
Morena
Amena
Quem esquece?

Tive vontade logo de casar
Rapidamente
No dia seguinte, amanhã.

Que amores!
Frondosos
Fixados em fortes raízes
C'oas mais lindas matizes
Para o tempo suportar.

Como passa tão depressa!
Deus teria pressa?

Ah! que lembranças

Contudo, foram todas desfrutadas
Configuradas
Bem guardadas

Ah! Tempo bom

Tudo indelevelmente salvo
Na minha Memória ROM

Arnaud Amorim