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quarta-feira, 30 de julho de 2008

NOSSA ALIMENTAÇÃO

A nossa alimentação
Já não é mais como outrora
Cresceu a população
Por todo mundo afora
Para atender à demanda
A qualidade desanda
E este quadro piora

O que comemos agora
É muito precipitado
Adubo químico e hormônios
São cada vez mais usados
Isto é muito verdadeiro
Os nossos hortigranjeiros
Estão muito envenenados

É o adubo no chão
E o agrotóxico no ar
Hormônio nos animais
Nunca deixam de botar
E os pobres consumidores
Padecerão grandes dores
Quando a doença chegar

Um frango antigamente
Demorava um tempão
Beliscando a comida
Na fazenda pelo chão
Hoje é tudo diferente
Come outro ingrediente
Misturado com a ração

O gado sofre aftosa
E o mal da vaca louca
O consumo sempre é grande
E a ganância nunca é pouca
O preço é sempre caro
E a doença não raro
Já entra por nossa boca

Os frutos colhidos verdes
Não finda a maturação
A seiva bruta se perde
Nas raízes pelo chão
E o nosso organismo
Pela pressa e egoísmo
É quem sofre esta ação

No êxodo rural foi grande
A corrida pra cidade
Para trabalhar no campo
Hoje é uma raridade
Quem segura a produção
É a industrialização
Que só busca quantidade

A nossa alimentação
Se restringe a toxinas
Gorduras, açúcar e sal
Com bem poucas vitaminas
E assim a grande massa
É quem paga com a desgraça
Com a doença assassina

Um quadro preocupante
Se pinta então no país
Há muita gente doente
Pra morrer faltando um triz
Em todos os hospitais
Hoje há doentes demais
Gente enferma e infeliz

A percentagem é alta
São muitas enfermidades
Acidentes vasculares
Problemas de obesidade
Câncer e hipertensão
Infarto no coração
É dura a realidade

Há uma grande saída
Pra esta situação
É buscar o natural
Para a nossa nutrição
Complementos alimentares
Vitaminas e similares
Ai está a solução

Pesquisando este assunto
Vi uma alternativa
Eu encontrei um produto
Que é a saúde viva
Há dois mil anos atrás
Comprovado e eficaz
Por sua ação tão ativa

Usado pra embalsamar
O corpo de Jesus Cristo
O aloés empregado
Por um cidadão benquisto
Comprovou a eficiência
Mostrando para a ciência
O benefício previsto

Vendo isto um americano
Foi afoito e ousado
Abriu logo uma empresa
Há trinta anos passados
Concluiu sua pesquisa
E firmado nesta guisa
Foi muito iluminado

O carro chefe da empresa
É a planta Aloe Vera
Chamam-na planta saúde
É eficiente e prospera
Tem duzentos nutrientes
Minerais eficientes
O organismo regenera

A empresa se expandiu
Está em mais de cem países
Onde entrou nunca saiu
E deixa muitos felizes
E nesta oportunidade
Muitos vêem a claridade
Na vida, outras matizes

No Brasil faz treze anos
Que começou sua ação
Um milhão de vendedores
Ultrapassa em explosão
E estourou no nordeste
Com um distribuidor da peste
Ex-mecânico de avião

Foi no Rio de Janeiro
Que ela entrou com firmeza
São Paulo e Porto Alegre
Curitiba é uma beleza
Belo Horizonte e Belém
Natal, Recife e ainda vem
Prá Brasília e Fortaleza

Aqui na minha família
Eu tinha escoliose
Minha irmã tinha alergia
Minha esposa tinha artrose
A minha sogra coitada
Era sempre receitada
Com remédio, muitas doses

Todo mundo hoje é feliz
Satisfeito e faceiro
Trabalhando nesta empresa
A qual nos deixa inteiros
E tomando Aloe Vera
A nossa vida prospera
Com saúde e dinheiro

Se você então quiser
Melhorar sua saúde
Ganhar bastante dinheiro
E viver em plenitude
Entre em contato comigo
E venha ser meu amigo
Tenha coragem e atitude


Meu email: arnaud.flp@gmail.com

Sites da empresa:

No Brasil: www.flpbr.com.br

http://www.flpbr.com.br/distribuidor/787/arnaudcamo/

Internacional: www.foreverliving.com
Arnaud Carlos de Amorim

Distribuidor independente

FLP 550 000 467787

sábado, 1 de março de 2008

SEJA O CÂNCER DEBELADO!

Quatro tipos de CA
Próstata, Mama, do Colo
E também câncer do Fígado
Acabam o protocolo
Cientistas mexicanos
Pesquisaram alguns anos
Só com produtos do solo

Eles são do instituto
De biotecnologia
Do Centro de Monterrey
Do México é a autoria
Foi um estudo muito sério
Que acaba com o mistério
E é grande a melhoria

Agave, sorgo, feijão
E o milho colorido
Contém moléculas importantes
Que inibem o referido
Já há o medicamento
Aguardando o momento
Para poder ser vendido

A notícia ainda fala
De forma bem explicada
Este feijão é o preto
Usado em feijoada
No prazo da previsão
Vou comer muito feijão
De forma até dobrada

A pesquisa é importante
E já tem data prevista
Foi um estudo realizado
Por mais de cem cientistas
Já existe a previsão
Para a liberação
Do medicamento em vista

Falam que no fim do ano
Muitos serão assistidos
Já venderão lá no México
E nos Estados Unidos
Depois numa ação global
A venda será geral
Está tudo definido

Oxalá que venha logo
E que seja aprovado
Que venhamos comprovar
Excelente resultado
Há muita gente sofrendo
E todo mundo torcendo
Seja o câncer debelado

Arnaud Amorim

ESTE PAÍS NÁO É SÉRIO!

Parece que não tem jeito
Este país tropical
Todos os dias a imprensa
Mostra roubo no jornal
Agora é a UNB
Deixe falar pra você
O que fez este lalau

Falei de UNB
Antes que a razão me mande
Veja o caro leitor
Como este caso se expande
Reitor da universidade
Adora excentricidade
O timothy mulhaland

Dinheiro em sua mão
Já não tem muito valor
Caso seja do erário
Ele aumenta o furor
E “investe” com ardil
Mais de oitocentos mil
Com um simples abridor

Gastou setenta e dois mil
Com chapa-branca zerado
Quatrocentos e setenta
Com o AP decorado
Com dinheiro faz fogueira
Oitocentos uma lixeira
Comprou três o desgraçado

Só televisor de plasma
Comprou cinco de uma vez
Anda com cartão no bolso
E nele tem liquidez
É uma verba de pesquisa
O reitor rouba e avisa
Que merece altivez

A pesquisa que falei
É de uma fundação
FINATEC é seu nome
De fomento a educação
Mas que pesquisa que nada
Querem é conta avultada
Tudo pronto no cartão

Foi eleito pelo voto
Ele tem autonomia
Desde a última eleição
Fala de democracia
Professores funcionários
Este bando de otários
Deram-lhe a maioria

Ainda acha o reitor
Que faz um bom magistério
Quem falou toda a verdade
Foi alguém de outro império
Ao ver a nossa gastança
Disse De Gaule da França:
- Este país não é sério!

Arnaud Amorim

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

MALDADE HUMANA

A maldade está no homem
Dentro do seu coração
É assunto confirmado
Em toda a geração
É pecador descendente
O pecado é concernente
À queda do pai adão

Ocorreu recentemente
Lá nos Estados Unidos
Jovens universitários
Tratados como bandidos
Em quatro oportunidades
Várias universidades
Muitos mortos e feridos

Veja o leitor a riqueza
Num país de primo mundo
Diferente da pobreza
D'um povo triste e imundo
Mas o trauma está na alma
Do jovem que nunca acalma
Perdura o stress profundo

Só ontem morreram seis
Na cidade de Illinois
Que gesto mais absurdo
Pras famílias e pra nós
Em todo mundo atirar
E depois se suicidar
Que atitude mais atroz

Chegar mirar a platéia
Mandar bala no povão
Que coisa inconcebível
É de cortar coração
Só se explica de um jeito
É ódio dentro do peito
Extravasado no cão

É mister buscar a Deus
E a Ele se entregar
Confessar os erros seus
E aprender a orar
Conversar com o paizinho
Que nos ama com carinho
Para tudo superar

Arnaud Amorim

DE DEVEDOR A CREDOR

Noticia muito importante
Da qual quis ser sabedor
Já circula nos jornais
Causando grande rumor
O Brasil está mudando
De devedor a credor

Diante grandes mazelas
Da política brasileira
Com tantas noticias ruins
Numa prática rotineira
Finalmente algo bom
Vem mudar a desgraceira

A notícia já circula
Em âmbito internacional
As reservas brasileiras
Perfazem hoje um total
Nos dando a condição
De sair da espiral

As nossas exportações
Começaram a aumentar
Gerando saldo de caixa
E isto veio animar
A produção brasileira
De forma espetacular

No ano dois mil e cinco
O Brasil já tinha caixa
Resgatou o FMI
Foi pagando e dando baixa
Clube de Paris, C-Bonds
Zerou, passou a borracha

Isto chama a atenção
De grandes investidores
De vários outros paises
Que destinam seus valores
Para nossa economia
Dando-nos outros sabores

Oxalá que isto venha
De forma bem contundente
Melhorar situação
No Brasil de tanta gente
Que até aqui esperou
Sofrendo carência ingente

Só temo que isto seja
mais falácia do PT
Ou mais uma reportagem
Publicada na TV
Que estamos acostumados
Diariamente a ver

Arnaud Amorim

ASSALTARAM LOGO O VALENTÃO

Minha esposa e sua mãe
Iam ao supermercado
Em torno de cinco horas
Eu fiquei preocupado
Pois é justo neste horário
Que o povo é assaltado

Num instinto natural
Eu falei de supetão:
- Esperem só um pouquiinho
Esta hora é de aflição
Eu também vou com vocês
Vou lhes dando proteção

Fomos os três pela rua
Eu tomei logo a frente
Achando que como homem
Poderia ser valente
Enfrentaria o assaltante
Que mexesse com a gente

Ao dobrar primeira esquina
Ali no meio do asfalto
Ao passar por um rapaz
Ele gritava bem alto
Com uma arma não mão
Anunciando o assalto

Ele disse: - Passa! Passa!
Vai logo seu vagabundo!
Já pensou que disparate
Um infeliz tão imundo
Me tratar desta maneira?
Fiquei branco e iracundo

Fiquei desorientado
Naquela situação
Não pensei nem um segundo
Dei-lhe um grande empurrão
Afastando-o para longe
Com a força do safanão

Naquele exato momento
Vi dois rapazes correndo
Para dar cobertura
Aquele ato horrendo
Minha esposa então gritou
Com a sua voz tremendo:

- Depressa! Corra Arnaud!
Adrenalina na mente
Eu corri naquele instante
Sentindo meu sangue quente
Perdi até os chinelos
Com o pulo que dei pra frente

Nunca briguei nem com um
Com três iria brigar?
Resolvi correr ligeiro
Procurei qualquer lugar
Por que estava com medo
E não queria apanhar

Passei no meio dos carros
Na rua em movimento
Enfrentando o perigo
De um atropelamento
Consegui chegar na esquina
Coração em batimento

Ouvi quando eles gritaram
Correndo em disparada:
- Sujou! e foram em frente
Seguindo pela calçada
Voltamos todos prá casa
E não compramos mais nada

É tudo muito ligeiro
Como se fosse um aceno
Depois a policia passa
E vistoria o terreno
A gente volta pra casa
Com a sensação de pequeno

Senti a ficha cair
Depois do fato ocorrido
O sangue foi esfriando
Fiquei muito arrependido
Se ele tivesse atirado
Poderia ter morrido

De fato logrei bom êxito
Neste assalto que sofri
Não aconselho ninguém
Agir como eu agi
Foi Deus quem me permitiu
Viver e contar aqui

O que achei interessante
Neste fato em questão
Eu tentei dar às mulheres
Plena e total guarnição
Mas eles logo pegaram
O inditoso o valentão

- Mas que valentão que dada
Sou mensageiro da paz
Nunca briguei com ninguém
Sempre fui um bom rapaz
Jamais iria enfrentar
Um malvado ladravaz

Deus nos livra, fique certo
Ele em sua palavra diz:
- Caem mil à tua direita
Mas tu serás bem feliz
Pois não serás atingido
Garante o grande juiz


Arnaud Amorim

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

MINHA SINGELA HISTÓRIA

Suplico ao Deus das luzes
Senhor de toda a glória
Que ajude a este humilde
Iluminando a memória
Para poder versejar
Narrando a sua história

No ano quarenta e sete
Sendo do século passado
Janeiro dia vinte e três
Nasci e fui bem amado
La na fazenda Torada
A minha mãezinha amada
Me dava leite de gado

De numerosa família
Filho de Chico Amorim
No cartório é Francisco
Deixe-me explicar assim
Homem de grande valor
Deu a todos muito amor
E também o deu a mim

Lembro muito minha mãe
Trago na recordação
O seu nome é Amélia
Mulher de grande visão
Ela teve vinte filhos
Criou dezesseis nos trilhos
Com amor no coração

Eu sempre fui sonhador
Desde o tempo de menino
Mesmo na luta de casa
Só fiz alguns desatinos
As mangas jasmin furei
Os açudes arrombei
Apanhei igual ao sino

Pois foi deixe eu contar
Eu sai de casa cedo
Fui ao sítio de manhã
De nada eu tinha medo
Na baixa de arroz passei
Vários baldos encontrei
Pensei que era brinquedo

Arrombei, achei bonito
Gostei daquela enchente
Muita água escorrendo
Prossegui e fui em frente
Fui a todos arrombando
Água bem fria rolando
Por cima dos pés da gente

Cheguei na mangueira em frente
Bem no meio do baixio
Procurei mangas maduras
Naquela hora de frio
Eu não encontrei nenhuma
As verdes de uma em uma
Furei, veja meio feitio

Fiz a volta na mangueira
Não subi, fui pelo chão
Fui furando com a unha
Veja só a minha ação
Inocente ia furando
As mangas atrás chorando
Igual leite de pinhão

O meu pai por lá passou
Conheceu minha pegada
Voltou pra casa irado
Com a cara avermelhada
Ai a pisa foi feia
Foi bem uma dúzia e meia
De grandes e boas lapadas

Baldos podiam arrombar
Mas não por meu intermédio
Mangas não iam pingar
Nem que fosse prá meu tédio
Oh bicho bom é a peia
Não é santo de areia
Mas é um grande remédio

Aprendi me corrigi
Sem guardar nenhuma panta
A vida lá continua
Com café, almoço e janta
Lembrança de vida boa
Trabalhar cantando loa
Mas sem forçar a garganta

A escola era ao lado
Naquela casinha branca
Cartilha de ABC
Professora muito franca
As letras fui emendando
O estudo aumentando
No saber que alavanca

No inverno muita planta
Para limpar de enxada
A fazenda muito linda
Toda de verde pintada
Pois nascia a jitirana
Da cor do sitio de cana
Oh vida boa danada

O tronco do capim verde
O rebanho sempre cata
Um bezerro escramuçando
Quão ligeiro acrobata
Prá matar a nossa fome
Mamãe traz, a gente come
Um bom prato de batata

Nunca mais pude esquecer
O banho no açude em frente
Patos marrecos a nadar
Passando perto da gente
Duas casacas de coro
Repetindo em seu choro
Na disputa mais plangente

A continuação do estudo
Eu fiz sem nenhum responso
Estudei muito e aprendi
Nunca fui aluno sonso
Todo dia o trote lento
Cavalgando num jumento
Á cidade Almino Afonso

À noite a gente dormia
Na rede armada na sala
Bastava papai mandar
Silêncio! a gente calava
Só se ouvia um boi mugindo
O telhado refletindo
O odor da neblina rala

Na moagem ainda lembro
A garapa na panela
No gigante os bois rodando
Nunca esqueci a tela
O tangedor aboiando
O mel fervendo e pulando
Cheiro forte de gamela

Um dia eu escutei
A professora falar:
- Tem futuro, d. Amélia
O estudo continuar
Arnaud é inteligente
E será conveniente
Mandá-lo pro’outro lugar

Mamãe depois me falou
Que em Mossoró havia
Uma senhora da família
Leitor, veja a sintonia
Era a minha madrinha
Que cedo já ido tinha
Morar lá e eu não sabia

Uma carta foi escrita
Para madrinha Didi
Gentilmente perguntando
Se eu poderia ir
Já respondeu de bom grado:
- Mande já meu afilhado
Para estudar aqui

Ainda lembro a viagem
Da fazenda à cidade
Fui com tio Zé Caetano
Amigo bom de verdade
O jumento vai andando
Do olho a lágrima rolando
Num soluço de saudade

Ainda quero dizer
Que uma juriti eu tinha
Criada numa gaiola
Lembrei disto agorinha
Acho que senti igual
Entre ela e o pessoal
A saudade da bichinha

Ao chegar na estação
Era tudo diferente
Ele comprou as passagens
A malota em nossa frente
O trem na curva gemendo
A fumaça descrevendo
Uma imagem plangente

Chegamos em Mossoró
Por volta do meio dia
Fomos ao destino certo
Que ele já conhecia
Fui muito bem recebido
Por todos muito querido
Mas a dor permanecia

Já na semana seguinte
Seguimos ao seminário
Para fazer umas provas
De conta e vocabulário
Exame preliminar
Para poder adentrar
Lá naquele educandário

Passados uns poucos dias
Recebi o resultado
Chegava um envelope
E dentro escrito aprovado
Foi grande a alegria
Já avisei em qual dia
Voltaria ao povoado

Que diferença tremenda
Há entre a vinda e a volta
Uma é muito dolorida
Na outra a dor se solta
Uma cantiga bem boa
O peito alegra e entoa
Para apagar a revolta

Ao chegar na estação
Da minha terra natal
Foi grande a recepção
Muita gente no local
Veio gente da fazenda
Outros da rua na agenda
Foi tudo muito legal

Na fazenda houve festa
Para todo mundo ali
No alpendre muitas redes
E também a juriti
Todos alegres falando
Ali me homenageando
Grande emoção eu senti

No seguinte fevereiro
Voltei para o seminário
Já bem mais acostumado
Já sabia o itinerário
Foi no dia dezesseis
Comecei primeira vez
A estudar, fazer rosário

Ainda lembro o local
Lá na praça do congresso
Vejo aqui na minha mente
Os três prédios, eu confesso
É patrimônio tombado
Pelo meu peito marcado
No coração submerso

Ali passei quatro anos
De sessenta para a frente
Progredi nos meus estudos
Mas achei conveniente
Nunca tive vocação
Prá ser padre ou sacristão
Sair amigavelmente

Vamos situar no tempo
Eu só tinha quinze anos
Nunca tinha namorado
Era como um puritano
Ou como um botão em flor
No terreno do amor
Não tivera desengano

Fui prá casa de um amigo
O seu nome é Dãozinho
Ozinha é sua esposa
Foram pérolas no caminho
Casal bom e muito altivo
Talvez o diminutivo
Expressem este carinho

Um dia na padaria
Na rua Zé de Alencar
Passou uma moça bonita
Eu comecei a olhar
Perguntei o nome dela
Daquela linda donzela?
Que jovem tão singular!

Depois eu soube é Núbia
Alguém ali respondeu
Se há amor à prima vista
Este amor ali nasceu
Sempre que meu olho a via
Coração forte batia
E ela correspondeu

Um dia nos encontramos
Na praça da conceição
Enquanto mais conversava
Mais aumentava a feição
O amor é uma semente
Que nasce dentro da gente
E cresce no coração

O amor tem seus percalços
Minha família não queria
Meu irmão veio de carro
Buscar-me um belo dia
Prá recife iam me mandar
Somente para estudar
Como o meu peito ardia!

Quando Deus traça um destino
Ninguém vai mudar seus planos
Em novembro, dia três
Daquele presente ano
Nos casamos na capela
Tão bonitos eu e ela
Juntamos os nossos panos

Foi na praia de Tibau
A nossa lua de mel
Naquela paisagem linda
Que o amor abre o seu véu
Como ele é doce e quente
Que adoça e queima a gente
Como um forte fogaréu

Recordações ainda guardo
Do meu primeiro trabalho
Na cervejaria Brahma
Vi a cor do bom cascalho
A gente vai trabalhando
E o dinheiro vai pegando
Como a rede de tresmalho

Sessenta e sete o ano
Vinte e sete foi o dia
Lembro foi no mês de julho
Karla Michelle nascia
A mãe sofrendo e vai
Mas a dor quem sente é o pai
Como em mim isto doía

Esperei muito um filho
Mas nasceu menina linda
Não vou contar os detalhes
Mas de tudo lembro ainda
Vimos nossa filha amada
Em tanto tempo sonhada
E era muito bem vinda

Arranjei outro emprego
A despesa aumentava
Agora éramos três
O dinheiro já não dava
Na outra firma então
Fui pesador de algodão
Um pouco mais eu ganhava

Sessenta e oito era o ano
Eu pagava aluguel
Soube que havia casas
Lá no Walfredo Gurgel
Ainda lembro o dia
Que tive a maior alegria
Ao morar perto do céu

Foram tantas emoções
Que tive nesta mudança
Eu estava bem feliz
Nesta hora de bonança
A casa era pequenina
Eu, Núbia e nossa menina
Tempo de muita esperança

Um ano e pouco depois
Deus nos deu outro presente
Nascia Kaline Mirelle
Alegrando o lar da gente
Parto normal e ela vinha
Nossa segunda rainha
Mais uma flor ali presente

Já no ano de setenta
Tivemos copa do mundo
O Brasil foi tri-campeão
Não esqueço um segundo
Fato marcante viria
Abrimos a padaria
Projeto grande e profundo

O leitor veja importância
Do projeto em nossa vida
Através dele podemos
Dar proteção e guarida
Na família investir
Poder também possuir
Mais bens melhor acolhida

No ano setenta e hum
Deus nos deu mais um presente
Nasceu mais flor na roseira
Perfumando o ambiente
Chegava Kátia Samara
Que prá nós foi muito cara
Alegrando toda a gente

O governo neste ano
Construía o porto ilha
Núbia está na padaria
E eu fui para esta trilha
Na empresa Ribeiro Franco
Trabalhei tive um arranco
Naveguei na sua quilha

Sim, fazia o pagamento
Da folha em alto mar
Era grande o sofrimento
Toda semana ia lá
Pegava a lancha no cais
Balançava até demais
Chegava até a enjoar

O leitor sabe do arranco
Que falei ali atrás
É porque com o dinheiro
Que ganhei já fui capaz
As máquinas eu compraria
Para a minha padaria
Fui competente, rapaz
Veja como a gente faz

Industria estruturada
Já nos deu a condição
Produto de qualidade
Aumento de produção
Tudo era de primeira
Pude vendê-los na feira
De toda a região

No ano setenta e quatro
A empresa paulistana
Concluiu o porto ilha
Eu sai peguei a grana
Investi na residência
Primeiro andar excelência
Tudo bonito e bacana

Melhorou a condição
O negócio expandido
Socorremos muita gente
Ao meu povo tão querido
Várias casas fui comprando
A uns cedendo, ajudando
Deixando o povo assistido

Eu não sou pretensioso
E nunca fui egoísta
Não guardei grana em banco
Jamais fui acionista
Meu prazer era ajudar
Alegrei-me em alegrar
Eu sempre andei nesta pista

Em torno de cinco casas
Eu comprei para os parentes
Além de emprego e terrenos
Deixando todos contentes
Socorro de grande monta
A Deus irão prestar conta
É bom deixá-los cientes

No ano setenta e nove
Mais uma filha pequena
Deus nos dava de presente
Era Kaliane Yslena
Com riso e simpatia
Trazendo muita alegria
Para todo o ambiente

No ano oitenta e um
Compramos casa em tibau
Lá fizemos muitas festas
Veraneio e carnaval
Se fosse tudo contar
O leitor iria cansar
Ou lhe trazer algum mal

Quero contar só um fato
Que passou num carnaval
Grande som e batucada
Tocador instrumental
Muita gente ali na mesa
Havia grande despesa
Tudo do meu capital

Deixamos nosso negócio
Na mão de gente incapaz
Muita comida e bebida
Bastante gente atrás
A casa bem lotadinha
Minha esposa na cozinha
Gastando todo seu gás

Oitenta e quatro o ano
Um filho a Deus pedia
Para sarar desengano
A oração atendia
Se o justo faz oração
Vem filho do coração
Trazendo muita alegria

Deus nos dava aquele filho
Tão longamente sonhado
Arnaud filho é seu nome
Logo assim foi batizado
Filho é bênção de Deus
Alegra os anseios meus
O time está encerrado

No ano oitenta e cinco
O negocio já sentia
Aquela falta de zelo
Frente a nossa padaria
Ainda havia mesmo assim
Três carros em frente a mim
Gastando bem todo dia

Tive a idéia interessante
De mover outro negócio
Pensando em completar
O dinheiro e o ócio
Abri o bar paraíso
Para isto foi preciso
Dinheiro, trabalho e sócio

Foi o tempo mais atroz
Que passei em toda a vida
Ficar à noite em claro
Levar a esposa querida
Canseira e muito enfado
A padaria de lado
Na longa estrada perdida

Agüentamos dois anos
Nesta luta tão tremenda
Havia até movimento
Despesa e pouca renda
Deus parece não faz nada
Se o labor não lhe agrada
Tive que procurar venda

Crescem os filhos vão casando
Igual a um passarinho
A saudade vão deixando
E vão voando do ninho
Pensava os filhos são meus
Depois vi que são de Deus
Vamos ficando sozinhos

No ano noventa e três
A angustia era pesada
Todo mundo revoltado
Na trilha da caminhada
No céu brilhou uma luz
E tivemos em Jesus
Nossa dor atenuada

Deus mostrou sua bondade
Tudo Ele assiste e vê
Nos deu oportunidade
Através do ECC
Foram os três dias mais lindos
Muito amor e Ele vindo
A nós dois nos socorrer

Nos caminhos do Senhor
Vi que o amor dEle é alto
Tive o honrado prazer
Fizemos de sobressalto
Um templo de pregação
Louvor e adoração
É a Igreja do Planalto

Agüentamos quatorze anos
Só ali na padaria
No ano dois mil e um
Deus então já abriria
Pega na mão com firmeza
Nos traz para Fortaleza
Porta de grande alegria

Hoje temos oito netos
Veja que prazer profundo
Desculpe você leitor
São os mais belos do mundo
Como é bom beijar um neto
A gente faz com afeto
E o amor mais fecundo

Deus nos deu casa e comida
Até aqui não faltou
Enquanto dormimos à noite
Tudo providenciou
Isso dizemos a ti
De forma que até aqui
O Senhor nos ajudou

A gradeço toda a sua atenção
R registrada nesta leitura tão bela
N ão poderia deixar a ocasião
A qui pintar-lhe esta linda aquarela
U ma vez mais lhe digo - Muito obrigado
D desculpe algum traço torto nela

Arnaud Amorim

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

ASSALTARAM LOGO O VALENTÃO

Minha esposa e sua mãe
Iam ao supermercado
Em torno de cinco horas
Eu fiquei preocupado
Pois é justo neste horário
Que o povo é assaltado

Num instinto natural
Eu falei de supetão:
- Esperem só um pouquiinho
Esta hora é de aflição
Eu também vou com vocês
Vou lhes dando guarnição

Fomos os três pela rua
Eu tomei logo a frente
Achando que como homem
Poderia ser valente
Enfrentaria o assaltante
Que mexesse com a gente

Ao dobrar primeira esquina
Ali no meio do asfalto
Ao passar por um rapaz
Ele gritava bem alto
Com uma arma não mão
Anunciando o assalto

Ele disse: - Passa! Passa!
Vai logo seu vagabundo!
Já pensou que disparate
Um infeliz tão imundo
Me tratar desta maneira?
Fiquei branco e iracundo

Fiquei desorientado
Naquela situação
Não pensei nem um segundo
Dei-lhe um grande empurrão
Afastando-o para longe
Com a força do safanão

Naquele exato momento
Vi dois rapazes correndo
Para dar cobertura
Aquele ato horrendo
Minha esposa então gritou
Com a sua voz tremendo:

- Depressa! Corra Arnaud!
Adrenalina na mente
Eu corri naquele instante
Sentindo meu sangue quente
Perdi até os chinelos
Com o pulo que dei pra frente

Nunca briguei nem com um
Com três iria brigar?
Resolvi correr ligeiro
Procurei qualquer lugar
Por que estava com medo
E não queria apanhar

Passei no meio dos carros
Na rua em movimento
Enfrentando o perigo
De um atropelamento
Consegui chegar na esquina
Coração em batimento

Ouvi quando eles gritaram
Correndo em disparada:
- Sujou! e foram em frente
Seguindo pela calçada
Voltamos todos prá casa
E não compramos mais nada

É tudo muito ligeiro
Como se fosse um aceno
Depois a policia passa
E vistoria o terreno
A gente volta pra casa
Com a sensação de pequeno

Senti a ficha cair
Depois do fato ocorrido
O sangue foi esfriando
Fiquei muito arrependido
Se ele tivesse atirado
Poderia ter morrido

De fato logrei bom êxito
Neste assalto que sofri
Não aconselho ninguém
Agir como eu agi
Foi Deus quem me permitiu
Viver e contar aqui

O que achei interessante
Neste fato em questão
Eu tentei dar às mulheres
Plena e total proteção
Mas eles logo pegaram
O inditoso o valentão

- Mas que valentão que dada
Sou mensageiro da paz
Nunca briguei com ninguém
Sempre fui um bom rapaz
Jamais iria enfrentar
Um malvado ladravaz

Deus nos livra, fique certo
Ele em sua palavra diz:
- Caem mil à tua direita
Mas tu serás bem feliz
Pois não serás atingido
Garante o grande juiz


Arnaud Amorim

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

IGUAL A ELE EU NUNCA VI - PARTE I

Senhor criador eterno
Nosso Deus onipotente
Derrama luz sobre mim
Ilumine a minha mente
Para poder versejar
Uma história comovente

Eu vou relatar em verso
A história de um homem sério
Oriundo do sertão
Cabra macho e de critério
Nascido em trinta e dois
É Francisco Desidério

É excelente pessoa
Cujo nome foi mudado
De maneira carinhosa
Deusdério foi colocado
Com Deus constando no nome
Prá ficar abençoado

De fato é engrandecida
Esta pessoa excelente
Amigo de todo mundo
De uma família decente
Abençoado por Deus
Criador onipotente

Nasceu na fazenda Tanques
No interior do sertão
Ajudava na fazenda
Como se fosse um irmão
Se aproximou de Caiçara
Homem bom da região

Chico sempre foi magrinho
Porém era muito esperto
Andava bem ligeirinho
Longe prá ele era perto
Ao receber qualquer ordem
Logo dizia: - Ta certo

Caiçara já conhecia
O seu jeito diferente
E pensou consigo mesmo
Este jovem é valente
Tem uma grande qualidade
Fala a verdade e não mente

Caiçara estava pensando
Numa pessoa prá ajudar
Seu sogro Chico Amorim
E com ele ir morar
Ajudando na fazenda
Para plantar e limpar

Lembrou de convidar Chico
Prá ir morar na Torada
Fazer as lutas de casa
Lá passar uma temporada
Ele disse: vou na hora
Comigo não tem maçada

Viajaram a cavalo
Levando sua malota
Caiçara ia na frente
Chico contando lorota
Só pra viagem alegrar
Eles contavam anedota

Chico sempre foi ativo
Só andava na carreira
Fazia muitos mandados
E limpava a capoeira
Tirava lenha no mato
E domingo ia prá feira

Lá na feira do mercado
Procurava algum brinquedo
Prás meninas da fazenda
Queria qualquer folguedo
Deolina e Lucineide
Esperavam desde cedo

Como não tinha boneca
Na feira para vender
Ele comprava caixinhas
De papelão prá fazer
Casinhas para as meninas
Seus sonhos arrefecer

Seu Francisco Amorim
Gostou muito do menino
Indagou depois a ele
Prá não fazer desatino
Se ele topava ficar
Ali mudar de destino

- Eu já disse a Caiçara
Que aqui quero ficar
Portanto avise a meus pais
Com o senhor vou morar
Por isso trouxe a bagagem
Um tempo aqui vou passar

Vamos fixar bem os nomes
Prá não fazer confusão
Chico é o personagem
Francisco é o patrão
Agora tudo explicado
Continua a narração

Logo na manhã seguinte
Tirou leite no curral
Tangeu o gado ao cercado
Alegria era total
Aboiava e cantava
Era um jovem bem legal

Precisou ir cortar lenha
Na mata bruta e fechada
Seu Francisco perguntou
Se ele topava a parada
A moagem estava perto
Não tinha lenha cortada

Ele topou de verdade
Amolou logo o machado
Encheu uma cuia d’água
Se embrenhou no cercado
Meteu o machado no mato
E foi pau prá todo lado

Seu Francisco alegrou-se
Com a sua produção
Era lenha à vontade
Tão grande era o montão
Chico ganhou bom dinheiro
Boa gratificação

Cambitou toda esta lenha
No espinhaço de capricho
Ele e o seu jumentinho
Trabalharam como bicho
Mas deu conta do recado
Mesmo ferindo o rabicho

Na época da moagem
Fazia a luta de três
De madrugada corria
A ninguém dava a vez
Cambitava toda a cana
Agia com altivez

Começava a meia noite
Era esperto em demasia
Arreiava os jumentos
Começava a correria
Ninguém nunca o venceu
Lá naquela freguesia

Nas altas horas da noite
Quando a bruma escurecia
Só se escutava Chico
Que cantava e corria
A passarada dormindo
E a cana ele trazia

Era pau prá toda obra
Tudo sabia fazer
Ia para a cantoria
Mas fazia o seu dever
Ali naquela fazenda
E bonito de se ver

Carregava toda água
Trabalhava no galão
Se tivesse arroz com casca
Arrochava no pilão
Depois ia pro cercado
Apanhar o algodão

Se faltasse qualquer coisa
Na fazenda a qualquer hora
Ele então logo dizia:
- Vou comprar tudo agora!
Ia a rua correndo
No escuro ou na aurora

Lá no cercado ninguém
Trabalhava em sua frente
Ele era o primeiro
Fazia tudo urgente
Proceder de forma igual
Nunca apareceu vivente

Seu Francisco convocava
De homens um adjunto
Ele ia com a negrada
Ali sempre de pé junto
Prá limpar mais do que ele
Só o fazendo defunto

IGUAL A ELE EU NUNCA VI - PARTE II

Se andando nas fruteiras
Achasse uma fruta bonita
Madura e bem cheirosa
Fazia logo sua fita
Levava prá dona Amélia
Sua patroa bendita

O fogão lá da fazenda
Era de lenha a chama
Necessitava gravetos
Para acender quando inflama
Todo tarde ele trazia
Gravetos prá sua ama

Numa manhã Lucineide
Queimou-se com leite quente
Precisou comprar remédio
Chico já correu na frente
Não perdeu nenhum segundo
Foi desesperadamente

Chegando lá na farmácia
O remédio não havia
Não voltou, tocou prá frente
Jamais ele voltaria
Sem resolver o problema
Foi a outra freguesia

De madrugada escutaram
De repente um barulho
Era ele na carreira
Chegou trazendo um embrulho
Comprou distante o remédio
Entregou com muito orgulho

Lucineide nunca esqueceu
Este feito importante
Restaurando sua saúde
Num momento cruciante
Diz que nunca recebeu
Gesto de amor semelhante

Trabalhava o dia todo
O suor chega escorria
Chegava em casa a tarde
Para a cidade ainda ia
Seu costume predileto
Era escutar cantoria

Se viesse cantador
De qualquer parte do mundo
Ele não perdia nada
Gostava do verso fecundo
Sentava logo na frente
Seu prazer era profundo

Lá na fazenda havia
Um jumento bem sabido
O seu nome era capricho
Era grande o alarido
Se outra pessoa montasse
Pulava muito o bandido

Ele conhecia Chico
Se gritasse ele atendia
Bastava mostrar o cabresto
Prá perto o bicho corria
Mas se fosse outra pessoa
Capricho já se escondia

Um dia fizeram aposta
Prá ver quem se segurava
Montado no animal
E ver quem agüentava
Quem não caísse do asno
A aposta abiscoitava

Chico montou em capricho
Que não levantou do chão
Um desceu outro subiu
Gritou jumento babão
Começou o pula-pula
Só parou com o outro no chão

Dava pulos e rinchava
Foi grande a presepada
Quis agarrar no pescoço
Capricho deu-lhe uma dentada
O cabra caiu distante
Perdeu a aposta tratada

É que Chico era bom
Amigo dos animais
Dava banho e comida
Não maltratava jamais
Os animais conheciam
Gostavam cada vez mais

Na fazenda havia um burro
Era valente e velhaco
Já mordia todo mundo
Deixava até um buraco
Mas quando Chico ele via
Vinha cheirar-lhe o sovaco

Em suas viagens a noite
Para uma cantoria
Arranjou uma namorada
O seu nome é Maria
Ele gostou muito dela
De amor seu peito enchia

Tudo dele era ligeiro
Noivou marcou o casamento
Amava muito Maria
Não havia impedimento
Seu Francisco deu-lhe apoio
Ali naquele momento

Deu a ele uma casa
Não lhe deixou faltar nada
Aumentou o seu salário
Tinha atenção redobrada
Chico e Maria se amaram
Ali na casa caiada

Assim se passaram anos
Naquela vidinha boa
De dia muito trabalho
A noite muita garoa
Ao verificar o tempo
Vê-se que ele se escoa

Maria lhe deu seis filhos
Anselmo, Selma, Anibal
Todos eles bem criados
Fatinha, Jonas, Aderbal
Uma trinca de meninos
Educados com moral

No ano sessenta e oito
Sendo do século passado
O seu patrão se mudou
Prá cidade aposentado
Muitos anos de trabalho
Só na lembrança guardados

IGUAL A ELE EU NUNCA VI - FINAL

Chico ainda era novo
Foi morar com outros patrões
Com os Gomes e Abel
Cada um com seus senões
Tempo bom ficou guardado
Dentro de seus corações

Quatro anos se passaram
Nada de bom ele via
A situação difícil
Entretanto ele sabia
Que um filho de Francisco
Tinha uma padaria

Só que era em outras terras
Pras bandas de Mossoró
Resolveu ir visitar
Acabar com o codó
Pegou o trem e partiu
Desta vez ele foi só

Deixou os filhos pequenos
Lá no sertão esperando
Ia falar com Arnaud
Nos planos ia pensando
O trem chorava correndo
Ele chorava sonhando

Ao chegar lá em Arnaud
Foi grande a alegria
Relembraram os bons tempos
Que na fazenda vivia
Acertaram um novo plano
Trabalhar na padaria

Cico trouxe a família
Prá esta grande cidade
Construíram uma casa
Foi grande a felicidade
Num terreno de Arnaud
Veja que facilidade

Quando há boa vontade
Amor, consideração
Fizeram casa de taipa
Formaram um mutirão
Com madeira, barro e telha
Houve a inauguração

Chico fazia a entrega
De bolacha e biscoito
Saia na bicicleta
Animado muito afoito
Aumentou a produção
Em sacos mais de dezoito

Já levava dois balaios
Um atrás outro na frente
E não escolhia horário
Meio dia no sol quente
Vendia muita bolacha
Animava toda gente

Os seus filhos aprenderam
Bem depressa a fazer pão
Aníbal era padeiro
Aderbal outra função
Jonas era ajudante
Selma ajudou no balcão

Ele sempre foi correto
Não queria nada errado
Arnaud viajou a praia
Passar lá um feriado
Fizeram raiva a Chico
Que ficou aperreado

Ele saiu escondido
Rumo à praia de Tibau
Carros passvam por ele
Olhava com o olho mau
Andou mais de sete léguas
A pé sem dar um sinal

Tudo porque tinha algo
Para com Arnaud falar
Não permitia ninguém
Que viesse atrapalhar
Andou todo o dia a pé
Até a noite chegar

Os carros buzinavam
E paravam a seu lado
Ele entrava no mato
Caminhava apressado
Ao chegar ao fim da linha
Estava todo rasgado

Ele sempre foi assim
Grande personalidade
Outro dia os fiscais
Aconteceu na cidade
Quiseram lhe humilhar
Mudar a sua verdade

Ele enfrentou os fiscais
Com bastante valentia
Não entregou a farinha
Se portou com maestria
Os fiscais nunca esqueceram
O feito daquele dia

Ele comprou um terreno
Na vila serra do mel
Levou a sua Maria
Foi morar perto do céu
Trabalhou com muito afinco
Merecia um troféu

Foi o lote de mais zelo
E também o mais cuidado
Os cajueiros mais verdes
Tudo limpo e cercado
Ainda hoje comentam
Está tudo registrado

Porém não é no papel
E sim em muitas memórias
Que registram nos anais
A mais intrigante história
De um homem muito humilde
Que merece toda glória

Seu lote assim permitia
Muitos cajus apanhar
Os melhores e mais doces
Que já se viu no lugar
E da serra ele vinha
A muitos presentear

Ele sofreu duro golpe
Perdeu dois filhos amados
Aníbal e Aderbal
Pela mão de Deus tirados
Deixando só a saudade
Nos corações destroçados

Chico ainda está vivo
Morando em Aracati
Pode crer tudo é verdade
O que foi contado aqui
Vai fazer oitenta anos
Em junho que vem aí

Estamos em fevereiro
Dois mil e oito é o ano
Vamos nos fixar no tempo
Que escorrega como um pano
Não espera por ninguém
Na tela do desengano

Hoje quem lhe dar apoio
É o seu filho caçula
Gosta tanto de seu pai
Que o ama, beija e adula
Jonas para vê-lo vai
Sempre dá uma escapula

Para efeito de registro
Vou lhe confessar assim
Foram trinta e oito anos
Que morou com os Amorim
Tempo de muita alegria
Porém tudo tem um fim

Deixo para o personagem
Um preito de gratidão
Por tudo que ele fez
Por nós com dedicação
O Arnaud falado sou eu
Sou grato de coração

Minha esposa sempre chama
Prá irmos a Aracati
Visitar Chico Deusdério
Matar a saudade ali
Relembrar todos os versos
Que eu versejei aqui

Tenho idade avançada
Já vi muitos homens sérios
Vi até na caminhada
Tocadores de saltério
Porém nunca vi igual
Homem de honra e moral
Como Chico Desidério


Arnaud Amorim

domingo, 3 de fevereiro de 2008

CHIMBA, O ORADOR DO POVO

Vou tentar contar o feito
A breve história de Chimba
Talvez lhe preste um preito
Sem ter bastante tarimba
Quero aqui expressar
Perquirir seu universo
E traduzir tudo em verso
Sua história singular

Contar-lhe é meu dever
Sua grande diferença
Quando estava sem beber
Não havia malquerença
Era calmo e sonhador
Mas ao tomar cachaçadas
Ele vinha prás calçadas
E mudava seu humor

Totalmente diferente
Ficava alegre e ousado
Vinha prás casas em frente
Com grande palavreado
Parece que incorporava
Um espírito de orador
Tamanho era o rumor
Discursava e gritava

Falava de todo mundo
Metia o pau nos prefeitos
Balançava o seu fundo
Fazia muitos trejeitos
Gritava em alto e bom som
Não respeitava ninguém
Era um espírito do além
Não tinha nada de bom

O seu comício era longo
Ele gritava bem alto
Parecia um biongo
Ali no meio do asfalto
Quando exagerava a pinga
Ai virava por cima
Aqui me falta até rima
Pra versejar sua ginga

Descia esculhambação
E não havia catimba
Ao ouvir a entonação
Dizia o povo é Chimba
Começava o barulho
E descia a verborréia
Quase rasgando a traquéia
Era grande o sarrabulho

Além de muito gritar
Também ficava atrevido
Chegou até a levar
Tapas no pé do ouvido
A ninguém ele atendia
Aquele pequeno vulto
Fazia muito tumulto
Isso quase todo dia

Eu exagerei um pouco
Falei que a ninguém atendia
Esse barulhento louco
Mas se seu filho acorria
Ao local do desmantelo
De repente se calava
A ele acompanhava
Fazia com todo zelo

Nunca pude entender
O que em seu íntimo passava
Não sei se estava a sofrer
Ou se revolta externava
Talvez em seu coração
Fervessem ondas de amor
Queimando o peito em dor
Sofrendo sofreguidão

É a explicação palpável
De seu gesto tresloucado
Gritar no imponderável
Jogar fora ódio guardado
Remoendo a amargura
Sintetizar num discurso
Morder no verbo do curso
O punhal que fere e fura

Parece que extravasava
Mágoas de antes guardadas
N’alma triste que gritava
Marcas duras carimbadas
Na lava de seus vulcões
O seu pobre peito aflito
Discursava aquele grito
Descarregando tensões

Pois já no dia seguinte
Parecia outra pessoa
Não tinha nenhum acinte
Já passava numa boa
Ia para o seu emprego
Não praticava motim
Nem havia torvelim
Já não tinha mais chamego

São figuras pitorescas
Registradas nos anais
Estarão nas mentes frescas
Não esquecidas jamais
O escritor pinta o papel
Conta pequenos detalhes
Recorta alguns entalhes
Enriquece o seu cordel

Passou para a história
Do folclore da cidade
Com aquela oratória
Cheia de verbosidade
Escrevo esta abordagem
Sem querer causar pítimba
Dedico ao amigo Chimba
Esta simples homenagem

Arnaud Amorim

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O VALENTE ROBERTÃO

Vou contar rapidamente
Um causo dos Monxorós
Narro assim bem de repente
É uma história feroz
Talvez lhe cause emoção
Vou falar de um sujeito
E tentar versar o feito
De um tal de Robertão

Ele era entroncado
Também muito corpulento
Bastante mal encarado
Tinha a força d’um jumento
Quando estava bem doidão
Brigava até com dezoito
Se os cabras fossem afoitos
Apanhavam de rojão

Quando chegava um chamado
Os policiais conheciam
Mandavam logo um “bocado”
De soldados que já iam
Enfrentar a besta-fera
E já pegavam o porrete
Pois ia rolar cacete
Já sabiam como era

- Vamos mudar o sistema
Todo mundo de soquete
Peguem um par de algema
E também os cacetetes
Não é brincadeira não
Quero um trabalho bonito
E hoje o nosso quesito
É prender o Robertão -

Uma noite numa festa
Lá no alto do xerém
Robertão com sua testa
Deu marrada em mais de cem
Quando a policia chegou
Ainda brigaram um tempão
E mesmo assim Robertão
Correu e não se entregou

Outra noite no Walfredo
Até eu vi desta vez
E me escondi com medo
Vou dizer o qu’ele fez
A súcia de vagabundo
Demonstrando ser valente
Robertão trincou os dentes
Deu mordida em todo mundo

Outra vez na passeata
A prefeito da cidade
Seria noite pacata
Tamanha tranqüilidade
De repente a confusão
Eu só via a zoeira
A turma da capoeira
Brigava com Robertão

Pareciam uns artistas
Destes de circo ou tv
Foi lá no meio da pista
E bonito de se ver
Não queira ver a usura
Os cabras brigavam fulos
E Robertão dava pulos
Com três metros de altura

Depois chamaram a policia
E a coisa ficou feia
Quando chegou a milícia
Era uma dúzia e meia
Se travaram no recoito
Os policias no cassetete
E robertão no bofete
Bateu em todos dezoito

Três dias o vi passar
Em frente à padaria
Ele vinha devagar
Não sei o que ocorria
Ele sentou lá na frente
Estava todo inchado
O corpo encalombado
Falou que estava doente

Isso tudo eu já sabia
Mas mesmo assim perguntei
O que se passado havia
Ele disse: - eu briguei
E não estou arrependido
Apanhei como um burro
Bati em muitos de murro
Fui preso como um bandido -

Neste dia eu indagava
Como ele conseguia
Porque tanto ele brigava
De fato, o que fazia?
Ele respondeu então:
- Dou cocorote e dentada
Chute, murro e cabeçada
Capoeira e empurrão -

- Dou pé na bunda e voada
Luto karatê também
Jiu-jitsu, dou pernada
Tapa-olho e vou além
Se entro na briga não saio
Sou um cabra muito ruim
Lutar pra mim é assim
Briga pequena é ensaio -

Se transformou Robertão
No terror lá da cidade
Pois em qualquer confusão
Já usavam de maldade
Sujando o nome de lama
Como se uma pessoa só
Na terra de Mossoró
Sustentasse esta fama

Quando ele aparecia
Em qualquer rua ou rincão
O povo então já dizia:
Cuidado! lá vem Robertão!
E corria todo mundo
Porém se alguém ficasse
E de cara o encarasse
O respeito era profundo

Em frente ao meu negócio
Lá morava um poeta
Numa tarde em seu ócio
Sentou de forma discreta
Robertão apareceu
Ele tremeu, mas ficou
De frente, o encarou
Naquele dia o venceu

Seu nome não quis citar
Pois não fui autorizado
Se ele quiser falar
Fica até testemunhado
Porá água em minha horta
Com o pau matei a cobra
E agora o que me sobra
É mostrar a cobra morta

Ultimamente estava
Todo picado de faca
A ferida lhe marcava
Como num couro de vaca
Pedia às enfermeiras
Talvez como um lenitivo
Façam aqui um curativo
Pra sarar minhas bicheiras

Havia uma enfermeira
Que era mulher casada
Robertão fez a besteira
De admirar a danada
Quando por lá ele a via
Dizia não sentir dor
Que só queria o amor
Daquela linda maria

Mas ela logo corria
Prá evitar o problema
O marido ela temia
Que soubesse do dilema
Já pensou a confusão
Que ela ia arranjar
Outro homem namorar
E ser logo o Robertão?

Ele era inteligente
Sentava ali na calçada
Bem da padaria em frente
Dizia com a voz cansada
Aqui ninguém mexe não
Me dê ai uma grana
Pois quero tomar uma cana
Quem garante é Robertão

Passo aqui de madrugada
Os cabras querem assaltar
Mas eu mando na negrada
Basta assim eu falar:
Aqui ninguém vai mexer
Pois Arnaud é meu amigo
E eu pastoro o abrigo
Dele enquanto eu viver

Eu fiquei bastante triste
Ao saber de supetão
Me falaram assim de riste
Da morte de Robertão
Quis lhe prestar este preito
Como simples homenagem
Narrando esta passagem
De algo que houvera feito


Arnaud Amorim